Estratégias

A ANDI trabalha com estratégias que se integram e retroalimentam. Busca desenvolver ações de médio e longo prazo que permitam potencializar a contribuição destas distintas estratégias – razão dos bons resultados logrados em 15 anos de atuação na área da infância e da adolescência e em outros temas da agenda socioambiental. Ações baseadas em apenas uma ou duas destas estratégias revelam resultados favoráveis e muitas vezes se dão como passo inicial – reconhecimento de campo – para uma evolução no sentido do uso das várias possibilidades e ferramentas.

São elas:

  1. Mobilização
  2. Monitoramento
  3. Qualificação
  4. Incidência (Advocacy)
  5. Reaplicabilidade

1. Mobilização 

A ANDI interage diariamente com as redações da imprensa e as fontes de informação na construção da pauta e na disseminação de notícias de referência. Atua tanto como provocadora de novas agendas como no atendimento (help desk) a jornalistas e organizações sociais. Estas atividades estão baseadas no princípio de que a busca por qualidade da informação pública é uma co-responsabilidade de repórteres, editores e fontes de informação; e que o bom jornalismo reside na diversidade de perspectivas e opiniões.

Nos projetos relacionados à área da Infância e Juventude, por exemplo, o objetivo da ANDI é contribuir para que o diálogo profissional entre atores sociais e jornalistas – e comunicadores em geral, quando as circunstâncias exigem – implique na produção de conteúdos de alta qualidade sobre as questões que afetam a vida de meninos, meninas e adolescentes. O mesmo se aplica aos conteúdos dirigidos especificamente a estes públicos.

Promover oportunidades de investigação, acesso a informações privilegiadas, premiações e outras formas de reconhecimento – tanto às melhores produções quanto a profissionais de permanente dedicação à área – é tarefa que a ANDI realiza com rigor de critérios e na compreensão de que é essencial elevar o prestígio das temáticas de interesse público e dos profissionais envolvidos em sua cobertura.

2. Monitoramento

O investimento da ANDI no desenvolvimento de metodologias de observação quantitativa e qualitativa para o monitoramento de conteúdos jornalísticos parte do princípio de que é essencial devolver aos profissionais e às empresas de comunicação uma leitura crítica, rigorosa, estruturada e construtiva sobre seu comportamento editorial. Este diagnóstico permite, antes de mais nada, a correção de falhas do processo de investigação e vícios da formação ou da prática profissional. Ao mesmo tempo, é um meio eficaz de alertar os jornalistas para a possibilidade de acessar novos conhecimentos e experimentar distintas abordagens sobre os temas em questão.

As análises de mídia são realizadas considerando, sobretudo, os jornais diários e as revistas, mas em projetos especiais os noticiários de televisão são monitorados. Elas facilitam que cada meio de comunicação reflita sobre seu próprio trabalho, compare-se com a média geral do setor e até com um ou mais veículos específicos. Ajudam também os meios a perceber quando precisam dar maior atenção a áreas diante das quais estejam eventualmente omissos.

Se ao longo dos anos os órgãos da imprensa encontram nas análises de mídia uma maneira de observar sua evolução, para a própria ANDI estes estudos oferecem insumo para decisões sobre em quais temas – ou para quais meios – é necessário somar mais esforços de mobilização e qualificação. É dessas avaliações que surgem as principais estratégias e novos projetos – não das preferenciais pessoais da equipe. As análises são, em última instância, a maneira como também a ANDI monitora o resultado de seus próprios esforços.

A consistência dos relatórios regulares certamente contribuiu para conferir à organização o status de interlocutor legítimo e não antagônico de jornalistas e outros atores sociais.

3. Qualificação 

A complexidade e diversidade das agendas relacionadas à infância e juventude, assim como daqueles subjacentes aos demais aspectos do desenvolvimento humano sustentável, exigem grande capacidade do profissional de comunicação para fornecer à sociedade informações contextualizadas e dignas de crédito, priorizar agendas para o debate na esfera pública e fiscalizar as autoridades governamentais e as políticas que implementam.

Contribuir para que a mídia possa mitigar algumas de suas limitações, de forma que venha explorar caminhos jornalísticos originais é a principal razão dos esforços da ANDI em Monitoramento (análises de mídia) e também na área de Qualificação (ou Capacitação). A ANDI busca promover seminários para debater os aspectos mais importantes trazidos à tona por seus estudos – sempre com formato dinâmico e interativo para incentivar jornalistas e as fontes de informação a estabelecer uma relação de maior confiança entre si e assim superarem limites de visão e prática. São oferecidas ainda oportunidades de treinamento com oficinas realizadas nas próprias redações e cursos à distância.

Os laços que unem a ANDI à universidade, por sua vez, datam de 1997, quando foi iniciado um programa de estágio – centenas de estudantes já atuaram nas redações da ANDI em Brasília e nas organizações da Rede ANDI Brasil e da Red ANDI América Latina. Desde 2006, foi criado o InFormação - Programa de Cooperação para a Qualificação de Estudantes de Jornalismo, que em parceria com as instituições de ensino superior, visa gerar oportunidades de qualificação atentas para a interface entre a comunicação e questões sociais no Brasil. Dentre as ações localizadas no guarda-chuva do programa estão a realização de disciplinas especiais em cursos de jornalismo, concursos, seminários, colóquios, a manutenção de um banco de trabalhos acadêmicos, a publicação de obras de referência e um programa de bolsas para Trabalhos de Conclusão de Curso. Esses laços foram se fortalecendo também à medida que as publicações com análises temáticas passaram a ser conhecidas das escolas de jornalismo, sendo que ANDI acabou tornando-se caso para estudos de diversas dissertações de graduação e pós-graduação.

4. Incidência (Advocacy)

O trabalho da ANDI em torno do universo que engloba políticas de comunicação e a chamada “comunicação para o desenvolvimento” é sobretudo de incidência – em prol tanto de um sistema de mídia mais democrático, diverso e plural, quanto do uso das ferramentas de comunicação para a promoção dos direitos e do desenvolvimento humano sustentável.

Essa percepção tem origem em uma visão sobre os prejuízos causados pela ausência de marcos regulatórios sólidos relacionados à inovação tecnológica, à garantia das liberdades de expressão, à qualidade jornalística, ao direito à comunicação, à inclusão social e à representação midiática das distintas culturas e das questões de gênero, etnia, ideologias e crenças que compõem o tecido social. Esta realidade é especialmente grave no Brasil e na América Latina – onde mesclam-se ausência de legislação com leis ultrapassadas, falta de regulamentação de artigos constitucionais com descumprimento das leis, e ainda baixa ou nula participação da sociedade civil organizada na elaboração e avaliação da eficácia dos instrumentos legais.

A ANDI e as redes brasileira e latino-americana acreditam que os avanços necessários na direção de um sistema de mídia saudável devem envolver a articulação de três perspectivas complementares: marco regulatório estatal; sistema de autorregulação e responsabilidade social empresarial; e accountability e responsabilização pela sociedade. Neste sentido, ANDI e redes atuam através da geração de conhecimento (sobretudo analisando referências internacionais e peculiaridades nacionais); participação em fóruns de discussão; liderança ou participação em ações articuladas de promoção de políticas no âmbito dos poderes públicos (executivo, legislativo e judiciário); e, na qualificação de profissionais de imprensa e atores sociais para a compreensão de que marcos regulatórios democráticos não podem ser estabelecidos para favorecer restrições à liberdade – devendo ser, na verdade, garantidores dessas mesmas liberdades e das melhores condições de produção e difusão de informação e conhecimento.

5. Reaplicação

Nos últimos anos, o bem-sucedido modelo da ANDI de mídia para o desenvolvimento vem sendo reconhecido como uma “tecnologia social” – ou seja, uma iniciativa que inclui produtos, técnicas e/ou metodologias passíveis de serem reproduzidos, que foram desenvolvidos em interação estreita com comunidades e que se constituem em soluções eficazes de transformação social. Atualmente, no que se refere ao trabalho na área da infância e da juventude, a “tecnologia ANDI” está sendo reproduzida e ampliada através da Rede ANDI Brasil e da Red ANDI América Latina.

Após experiências bem sucedidas de construção conjunta, a ANDI também busca criar oportunidades de transferência de suas tecnologias para organizações de outros setores da agenda sócio-ambiental. Entre os princípios que orientam este trabalho estão uma atuação que visa garantir estratégias estruturadas e sustentáveis no médio e longo prazo e o necessário acompanhamento sobre a implantação e eficácia das atividades.