16 de Maio de 2019
Às vésperas do 18 de maio, vídeo levanta discussão sobre privacidade e intimidade infantil. Assista!

O filme da premiada campanha Defenda-se, do Centro Marista de Defesa da Infância, encoraja a autodefesa das crianças contra a violência sexual e reproduz a pluralidade das infâncias



Mais de 70 mil ligações foram registradas pelo Disque 100, principal canal de denúncias de violações dos direitos humanos do Brasil, só no primeiro semestre de 2018. Destas, 23,35% dizem respeito tão somente a casos de violência sexual contra crianças e adolescentes em todo o país. Neste mês, o delicado tema é evidenciado em virtude do 18 de maio, data na qual governos, empresas e organizações da sociedade civil sensibilizam-se para o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes.

Qual a maneira mais eficiente de enfrentar esse problema? O Centro Marista de Defesa da Infância entende que a resposta para essa pergunta está na fala dos pequenos, aliada a estratégias de educação e informação. “Quando bem orientadas, as crianças têm mais chances de evitar ou interromper o abuso, contando sempre com o apoio de adultos de confiança que ela reconheça em seu cotidiano” explica Vinícius Gallon, criador e coordenador da Campanha Defenda-se, uma iniciativa criada em 2014 pelo Centro de Defesa para promover a autodefesa das crianças contra a violência sexual.

Por meio de vídeos amigáveis, educativos e acessíveis eles discutem, de forma sutil e bastante delicada, temas sensíveis sobre o desenvolvimento da sexualidade infantil, que auxiliam a criança a conhecer melhor o próprio corpo, a reconhecer as diferentes emoções, entender as diferentes relações afetivas e a conduta mais apropriada em cada uma delas. Além de aprender ações simples do dia a dia que dificultam a ação dos agressores. Os 11 filmes curtos já publicados alcançaram pelo menos 20 milhões de pessoas pelas redes sociais e estão nos 81 países onde o Instituto Marista está presente.

A campanha foi vencedora, ainda, do Prêmio da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, o Aberje 2018, na categoria Comunicação e Relacionamento com a Sociedade; Prêmio Neide Castanha de Direitos Humanos (criado em homenagem à ativista e defensora Neide Castanha), além de ser certificada como material de excelência pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

Precisamos falar sobre intimidade, privacidade e diversidade

No vídeo mais recente, lançado nesta semana que antecede o 18 de maio, intimidade e privacidade são as temáticas centrais. Elas têm como pano de fundo situações corriqueiras – uma ida ao banheiro durante o recreio ou uma atividade em sala de aula.

“Por que o pipi da Ana está escondido?”, “As partes íntimas têm esse nome porque ninguém pode encostar”, “Não é legal mostrar nossa intimidade para outras pessoas”, são algumas das falas de Marcelo, Clara, Amim e outros personagens já conhecidos da campanha.

Neste novo vídeo de quase três minutos somos apresentados, ainda, a novos rostos: Rafa, que é cadeirante, Yuki, que tem transtorno do espectro autista, Laura, que é deficiente auditiva e Ana, que representa as crianças que vivem no meio rural. “A violência sexual atinge a todas as infâncias, mas quanto maior a vulnerabilidade de cada uma delas, maior a incidência e a invisibilidade. Por isso buscamos retratar de uma maneira bastante positiva crianças com diferentes características e necessidades convivendo em harmonia e se apoiando nas descobertas da vida”, ressalta Vinicius.

É uma forma de mostrar que todas as infâncias importam e têm direito a uma vida saudável, feliz, livre de violência. “A autoestima é fundamental nesse start inicial de relatar que algo ruim está acontecendo e precisa ser interrompido”, completa o criador e coordenador da Campanha Defenda-se. Um dos destaques é Laura. Pela primeira vez uma criança com deficiência auditiva é representada em um vídeo do Defenda-se. Ela traz a adaptação de parte do roteiro para a língua brasileira de sinais (Libras).

A campanha tem produção da Spirit Animation Studio e apoio do Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual de Crianças e Adolescentes, Campanha Faça Bonito, Fundación Marista por La Solidaridad, FTD Educação, Organizacion de Los Estados Americanos (OEA), Instituto Interamericano del Niño, la Niña y Adolescentes e o Instituto Cores. As traduções são da produtora Filmes Que Voam.

Sobre o Centro Marista de Defesa da Infância  

Criado em 2010, o Centro Marista de Defesa da Infância, vinculado à Rede Marista de Solidariedade (RMS), atua na defesa dos direitos de crianças, adolescentes e jovens, por meio do fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos. Integram o portfólio da instituição o CADÊ Paraná (plataforma virtual que reúne dados e informes periódicos temáticos sobre crianças e adolescentes), os projetos Territoriar e Brincadiquê? Pelo Direito ao Brincar, e a campanha nacional sobre a autodefesa de crianças contra enfrentamento à violência sexual, Defenda-se!. A instituição também desenvolve análises sobre o orçamento público do Paraná e promove ações de incidência política em articulação com governos, redes, fóruns, comissões e conselhos de Direito. 

 

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Este guia integra uma série de publicações editadas pela ANDI – Comunicação e Direitos ao longo da última década, com o objetivo de contribuir para o aprimoramento da cobertura jornalística.