15 de Dezembro de 2017
UNICEF: um terço dos jovens do mundo não tem acesso à Internet

Publicação divulgada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), no dia 11 de dezembro, mostrou que milhões de crianças e adolescentes estão sendo deixados para trás no uso da Internet.

Cerca de um terço dos jovens (entre 15 e 24 anos) em todo o mundo – ou 346 milhões – não está online, exacerbando as desigualdades e reduzindo a capacidade de meninas e meninos de participar em uma economia cada vez mais digital.

O relatório explora benefícios que a tecnologia digital pode oferecer às crianças e aos adolescentes mais desfavorecidos, inclusive aqueles que crescem na pobreza ou são afetados por emergências humanitárias. Isso inclui aumentar seu acesso à informação, construir habilidades para o local de trabalho digital e dar-lhes uma plataforma para que se conectem e comuniquem seus pontos de vista.

O relatório também apresenta diferentes maneiras pelas quais a tecnologia digital está afetando a vida e as chances de meninas e meninos, identificando perigos e oportunidades. O documento argumenta que governos e setor privado não têm acompanhado o ritmo das mudanças, expondo crianças e adolescentes a novos riscos e danos e deixando para trás milhões de desfavorecidos.

Somente uma ação coletiva – por parte de governos, setor privado, organizações que defendem os direitos da infância e adolescência, universidades, famílias e os próprios meninos e meninas – pode ajudar a assegurar a igualdade de oportunidades no espaço digital e tornar a internet mais segura e mais acessível para crianças e adolescentes, disse o relatório do UNICEF.

“Para o bem e para o mal, a tecnologia digital é agora um fato irreversível em nossa vida”, disse o diretor-executivo do UNICEF, Anthony Lake. “Em um mundo digital, nosso duplo desafio é saber como mitigar os danos, maximizando os benefícios da Internet para cada criança e cada adolescente”.

O relatório também examina como a Internet aumenta a vulnerabilidade de crianças e adolescentes a riscos e danos, incluindo o uso indevido de suas informações privadas, o acesso a conteúdos prejudiciais e o cyberbullying. A presença onipresente de dispositivos móveis, segundo o relatório, fez o acesso online ser menos supervisionado para muitos meninos e meninas – e potencialmente mais perigoso.

O UNICEF alerta que redes digitais como a “darknet” e as criptografias estão permitindo as piores formas de exploração e abuso, incluindo o tráfico e a distribuição online de pornografia infantil.

Campanhas brasileiras

No Brasil, o relatório destaca a campanha Internet Sem Vacilo, que promoveu o comportamento online seguro entre adolescentes e abordou questões como cyberbullying, sexting e privacidade.

Lançada em 2015, contou com a participação dos youtubers Jout Jout e Pyong Lee e atingiu quase 14,5 milhões de pessoas, gerando mais de 1 milhão de visualizações de redes sociais.

A Safernet, parceiro da campanha, mantém uma central de atendimento online e por telefone para ajudar crianças, adolescentes e jovens afetados pela violência no ambiente digital. Os principais tópicos abordados pelo serviço em 2016 foram o cyberbulling, com 312 casos; sexting, 301 casos; e problemas com dados pessoais, 273 casos.

O Proteja Brasil é um aplicativo gratuito que permite a toda pessoa se engajar na proteção de crianças e adolescentes. É possível fazer denúncias diretamente pelo aplicativo, localizar órgãos de proteção nas principais capitais e ainda se informar sobre as diferentes violações. Desde 2014, o aplicativo foi baixado mais de 190 mil vezes.

As denúncias são encaminhadas diretamente para o Disque 100, serviço de atendimento do governo federal. O aplicativo também recebe denúncias de locais sem acessibilidade, de crimes na Internet e de violações relacionadas a outras populações em situação vulnerável.

Crianças e adolescentes na era digital

O relatório apresenta dados e análises atuais sobre a utilização da Internet e de redes online por crianças e adolescentes e o impacto da tecnologia digital sobre o bem-estar de meninas e meninos, explorando debates crescentes sobre o “vício” digital e o possível efeito do tempo em frente à tela no desenvolvimento do cérebro.

Os adolescentes e jovens de 15 a 24 anos formam o grupo etário mais conectado. Em todo o mundo, 71% estão online em comparação com 48% da população total.
A juventude africana é a menos conectada, com cerca de três em cada cinco jovens offline, em comparação com apenas um em cada 25 na Europa.

Aproximadamente 56% de todos os websites estão em inglês e muitos meninos e meninas não conseguem encontrar conteúdo que entendam ou que seja culturalmente relevante.

Recomendações para atividades prioritárias

Recomendações práticas para ajudar a orientar uma formulação de políticas mais eficazes e práticas comerciais mais responsáveis para beneficiar crianças e adolescentes incluem fornecer a todos os meninos e meninas acesso a recursos online de alta qualidade; proteger as crianças e os adolescentes de danos online – incluindo abuso, exploração, tráfico, cyberbullying e exposição a materiais inadequados.

O UNICEF também sugere salvaguardar a privacidade e a identidade das crianças e dos adolescentes online; capacitar digitalmente crianças e adolescentes para mantê-los informados, engajados e seguros online; aproveitar o poder do setor privado para promover normas e práticas éticas que protejam e beneficiem as crianças e os adolescentes online; e colocar as crianças e os adolescentes no centro da política digital.

“A Internet foi concebida para adultos, mas é cada vez mais usada por crianças, adolescentes e jovens – e a tecnologia digital afeta cada vez mais a vida e o futuro deles. Sendo assim, as políticas, práticas e produtos digitais devem refletir melhor as necessidades, as perspectivas e as vozes das crianças e dos adolescentes”, disse Lake.

Fonte: ONU Brasil

 

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No Volume II, são reunidos artigos que refletem o teor dos debates travados pela sociedade civil em relação às produções em foco. São reflexões de estudiosos, militantes e observadores em geral do campo, abrangendo diferentes perspectivas, a partir mesmo do perfil dos autores, oriundos da academia e de organizações que defendem a liberdade de expressão e o direito à comunicação.