06 de Setembro de 2016
UNESCO: Se quisermos atingir nossos objetivos de desenvolvimento global, a educação precisará mudar de maneira substancial

O novo Relatório de Monitoramento Global da Educação (Global Education Monitoring –GEM – Report) da UNESCO demonstra o grande potencial da educação para impulsionar o progresso rumo à conclusão de todos os objetivos globais delineados na nova Agenda de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas até 2030. O Relatório também indica que a educação precisa de uma grande transformação para atender a esse potencial e superar os atuais desafios enfrentados pela humanidade e pelo planeta.

A educação necessita urgentemente de mais avanços. De acordo com as atuais tendências mundiais, a universalidade da educação primária será alcançada apenas em 2042, do primeiro nível da educação secundária em 2059 e do segundo nível em 2084. Isso significa que o mundo estará meio século atrasado em relação ao prazo estipulado pelos ODS: 2030.

O Relatório, Educação para Educação para as pessoas e o planeta: criar futuros sustentáveis para todos, demonstra a necessidade de que os sistemas de educação intensifiquem a atenção para os problemas ambientais. Ainda que na maioria dos países a educação seja o melhor indicador de conscientização sobre a mudança climática, metade dos currículos nacionais, em todo o mundo, não mencionam explicitamente a mudança climática em seus conteúdos. Nos países da OCDE, quase 40% dos estudantes de 15 anos de idade têm apenas conhecimento básico sobre temas ambientais.

“Devemos mudar de maneira substancial a maneira como pensamos o papel da educação no desenvolvimento global, porque isso tem um impacto catalizador no bem-estar humano de indivíduos e no futuro de nosso planeta”, afirmou a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova. “Agora, mais do que nunca, a educação tem a responsabilidade de fomentar os tipos certos de valores e habilidades que nos levarão ao crescimento sustentável e inclusivo e à convivência pacífica”.

Os sistemas de educação precisam tomar cuidado para proteger culturas minoritárias e as linguagens associadas a elas. Essas culturas mantêm informações vitais sobre o funcionamento dos ecossistemas. No entanto, o relatório mostra que 40% da população global é ensinada em uma língua que não compreende.

Os sistemas de educação precisam garantir às pessoas a oferta de habilidades vitais e conhecimentos que possam apoiar a transição para indústrias mais verdes, além de encontrar novas soluções para os problemas ambientais. Isso também requer que a educação continue além dos muros da escola, em comunidades e em ambientes de trabalho ao longo da vida adulta. Mesmo assim, dois terços de todos os adultos não são alfabetizados em questões financeiras, e somente 6% dos adultos dos países mais pobres do mundo participam de programas de alfabetização.

“Se quisermos um planeta mais verde e futuros sustentáveis para todos, devemos exigir mais de nossos sistemas de educação do que somente uma transferência de conhecimento. Precisamos que nossas escolas e os programas de aprendizagem ao longo da vida foquem em perspectivas econômicas, ambientais e sociais que ajudem a criar cidadãos empoderados, críticos, conscientes e competentes”, disse Aaron Benavot, diretor do Relatório GEM.

Também é urgentemente necessário que os sistemas de educação transmitam habilidades de alto nível alinhadas às demandas de economias em crescimento, nas quais conjuntos de habilidades para o trabalho têm mudado rapidamente, com muitas delas sendo automatizadas. De acordo com as tendências atuais, até 2020, haverá um déficit de 40 milhões de trabalhadores com educação terciária em relação à demanda. O Relatório demonstra que atingir a universalidade do segundo nível da educação secundária até 2030 em países de baixa renda é uma mudança vital, que tiraria 60 milhões de pessoas da pobreza até 2050.

A desigualdade na educação, em conjunto com a vasta gama de disparidades, aumenta o risco de violência e conflito. Em 22 países da África Subsaariana, regiões com média educacional muito baixa tiveram 50% de chance de vivenciar conflitos em um período de 21 anos. O Relatório pede aos governos que comecem a levar a sério as desigualdades na educação, monitorando-as por meio de coleta de informações diretamente de famílias.

O Relatório enfatiza que a nova agenda de desenvolvimento global pede aos ministros da Educação e a outros atores da educação que trabalhem em colaboração com outros setores e lista vários benefícios que podem surgir dessa forma de trabalho, incluindo:

- Intervenções de saúde poderiam ser oferecidas nas escolas: estima-se que, se houver o fornecimento de tratamentos simples, como pílulas de micronutrientes nas escolas, seria um décimo do custo do fornecimento desse serviço por meio de unidades móveis de saúde.

- Escolas agrícolas poderiam ajudar a aumentar a produtividade das culturas em 12%, levando a aumentos sustentáveis na produção de alimentos.

- Na África Subsaariana, garantir às mulheres educação até o primeiro nível da educação secundária poderia prevenir a morte de 3,5 milhões de crianças entre 2050 e 2060.

Para mais informações, fotos, b-roll, infográficos, vídeo online e entrevistas, favor contatar:

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UNESCO no Brasil
Ana Lúcia Guimarães, (61)2106-3536, (61) 99966-3287, a.guimaraes@unesco.org
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