16 de Fevereiro de 2018
OMS publica novas diretrizes para reduzir intervenções médicas desnecessárias no parto

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou nesta sexta-feira (15) novas diretrizes sobre padrões globais de atendimento às mulheres grávidas, com o objetivo de reduzir o uso desnecessário de algumas intervenções médicas como, por exemplo, a cesárea.

“Queremos que as mulheres deem à luz em um ambiente seguro, com profissionais qualificados e em unidades bem equipadas. No entanto, a crescente ‘medicalização’ de processos normais de parto estão minando a capacidade das mulheres de dar à luz, e afetando negativamente sua experiência de parto”, disse Nothemba Simelela, diretora-geral assistente para família, mulheres, crianças e adolescentes da OMS.

Globalmente, estimados 140 milhões de partos acontecem a cada ano, e a maior parte deles ocorre sem complicações para mulheres e bebês.

No entanto, de acordo com a OMS, nos últimos 20 anos, os profissionais de saúde ampliaram o uso de intervenções que eram anteriormente usadas apenas para evitar riscos ou tratar complicações, tais como a aplicação de oxitosina para acelerar o trabalho de parto e as cesarianas. Estudos mostram que uma proporção substantiva de grávidas saudáveis passa por ao menos uma intervenção clínica durante o trabalho de parto.

“Se o parto está ocorrendo normalmente, e as mulheres e seus bebês estão em boas condições, não precisam receber intervenções adicionais para acelerar o processo”, disse Simelela.

Com base em 56 recomendações baseadas em evidências, as novas diretrizes incluem ter uma companhia à sua escolha durante o trabalho de parto e o nascimento da criança; receber atendimento respeitoso e acesso a boa comunicação com os profissionais de saúde; manter privacidade e confidencialidade; e ter autonomia decisória sobre a gestão da dor, posições, entre outras.

Reconhecendo que cada parto e nascimento é único e que sua duração varia entre as mulheres, as diretrizes afirmam que o padrão anterior para dilatação cervical de 1 cm/hora durante o primeiro estágio ativo do parto pode ser “irrealista” para algumas mulheres, sendo impreciso em identificar mulheres em risco de resultados adversos nocivos.

As diretrizes enfatizam que uma dilatação cervical mais lenta sozinha não pode ser uma indicação para a intervenção no sentido de acelerar o parto.

Além disso, enquanto a maior parte das mulheres quer parto natural, elas também reconhecem que o parto pode ser imprevisível e arriscado e que o monitoramento constante e, às vezes, intervenções médicas, podem ser necessários.

Quando uma intervenção médica é demandada ou necessária, “a inclusão das mulheres na tomada de decisões sobre o atendimento que recebem é importante para garantir que atinjam o objetivo de uma boa experiência de parto”, disse Ian Askew, chefe do departamento de saúde reprodutiva e pesquisa da OMS.

A agência da ONU também afirmou que uma vez que mais mulheres dão à luz em centros de saúde com profissionais qualificados, elas merecem um atendimento de qualidade.

Estimativas mostram que cerca de 830 mulheres morrem na gravidez ou em complicações no parto no mundo todos os dias, sendo que a maioria dessas mortes poderia ser evitada com atendimento de saúde qualificado.

Além disso, atendimento desrespeitoso e não digno é frequente em muitas unidades de saúde, violando os direitos humanos e impedindo que as mulheres acessem serviços de saúde durante o parto. Em muitas partes do mundo, os planos de saúde controlam o processo de parto, além de expôr a saúde da mulher a intervenções médicas que interferem no processo natural.

“Para atingir o melhor resultado físico, emocional e psicológico para as mulheres e seus bebês, é necessário um modelo de cuidado no qual os sistemas de saúde empoderem todas as mulheres para acessar cuidados que foquem na criança e na mãe”, disse a OMS.

Clique aqui para acessar o documento (em inglês).

Fonte: ONU Brasil

 

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