19 de Junho de 2019
85% dos pais dizem que fariam qualquer coisa para se envolverem muito no cuidado de uma nova criança, mas ainda estão assumindo bem menos responsabilidades que as mães

Promundo lançou o relatório Situação da Paternidade no Mundo 2019, revelando novas análises de dados de mais de 40 países e recomendações para fechar a lacuna do cuidado não remunerado

O terceiro relatório Situação da Paternidade no Mundo foi lançado no dia 05 de junho na Conferência Women Deliver 2019 em Vancouver, Canadá, em um evento coorganizado por Promundo e Dove Men+Care, da Unilever.

O relatório Situação da Paternidade no Mundo é produzido por Promundo, co-coordenador da MenCare: Uma campanha global de paternidade – que atua em mais de 50 países. O relatório revela novas descobertas de pesquisas conduzidas com Dove Men+Care, da Unilever em sete países e com Plan International Canadá em quatro países – a partir de entrevistas e questionários conduzidos com cerca de 12.000 pessoas. Situação da Paternidade no Mundo 2019 também inclui uma análise de dados da Pesquisa Internacional sobre Homens e Equidade de Gênero entre mais de 30 países e fornece recomendações para fechar a lacuna do cuidado não remunerado em apoio à promoção da equidade de gênero.

PRINCIPAIS RESULTADOS:

Nova pesquisa em sete países – Argentina, Brasil, Canadá, Japão, Holanda, Reino Unido e EUA – mostra que 85% * dos pais dizem que fariam qualquer coisa para se envolverem muito nas primeiras semanas e meses de cuidado de sua/seu recém-nascida/o ou filha/o adotiva/o. Então, o que está impedindo isso?

O relatório identifica três grandes barreiras:

1. Falta de licença paternidade paga e adequada e o baixo uso de licença quando disponível;
2. Normas de gênero restritivas que posicionam o cuidado como responsabilidade das mulheres, juntamente com a percepção de que as mulheres são cuidadoras mais competentes do que os homens;
3. Falta de segurança econômica e apoio governamental para todas/os mães, pais e cuidadores.

Nenhum país do mundo alcançou igualdade no trabalho de cuidado não remunerado entre homens e mulheres. O progresso é incrivelmente lento. Em 23 países de média e alta renda, a lacuna de cuidado não remunerado foi fechada durante apenas sete minutos nas últimas várias décadas. Globalmente, as mulheres passam significativamente mais tempo do que os homens – às vezes até dez vezes mais – em trabalho de cuidado não remunerado, voluntário e doméstico (e passam mais tempo em trabalho não remunerado e remunerado juntos). A análise dos dados de uso do tempo mostra que, se os homens realizassem pelo menos 50 minutos a mais de cuidados por dia (e as mulheres realizassem 50 minutos a menos), isso ajudaria a balança a ser equilibrada rumo à igualdade.

Uma solução de política comprovada para apoiar a redistribuição do trabalho de cuidado não remunerado – licença parental igualitária, paga e intransferível para todas/os, incluindo os pais – ainda precisa ser amplamente adotada. Menos da metade (48%) dos países do mundo oferece licença paternidade paga. Quando disponível, a licença paternidade geralmente é inferior a três semanas – ou, às vezes, de apenas alguns dias.

As mulheres querem que os homens tirem licença paternidade e dizem que isso melhoraria sua própria saúde. Nos sete países de renda média e alta pesquisados, mais de 65% das mulheres dizem que as mães teriam melhor saúde física e mais de 72% afirmam que teriam melhor saúde mental se os pais tirassem pelo menos duas semanas de licença paternidade, revela o relatório.

Estereótipos restritivos de gênero são parte do problema. O relatório conclui que proporções significativas de homens e mulheres – participantes de pesquisas lideradas por Promundo e parceiros em todas as regiões do mundo – concordam que “trocar fraldas, dar banhos às crianças e alimentar as crianças deve ser responsabilidade da mãe”.

Há também uma percepção sobre parentalidade ligada à ideia de “competência”.  Os homens confiam muito mais em suas parceiras do que elas confiam neles. No Canadá, Japão, Holanda e Reino Unido, cerca de duas vezes mais homens que mulheres dizem que “confiam em sua/seu cônjuge para conhecimento e informação sobre parentalidade ”.

Estresse financeiro e insegurança também influenciam o envolvimento dos homens no cuidado. Até 76% das mães (Reino Unido) e 59% dos pais (Canadá) dos sete países de renda média e alta pesquisados classificam as barreiras financeiras como a maior razão para não tirar mais licença parental. Contexto importa: a insegurança econômica, conflito ou guerra em curso e a instabilidade política apresentam grandes desafios para o cuidado.

UMA CHAMADA PARA AÇÃO:

Alcançar a igualdade no cuidado e no trabalho doméstico não remunerados é uma questão urgente de justiça de gênero e direitos das mulheres. Ter homens envolvidos em paternidade e cuidado é bom para a equidade de gênero e para a saúde das mulheres. Quando os pais assumirem uma parte igualitária do trabalho de cuidado, isso acelerará o progresso para esta geração e para a próxima, ajudando suas/seus filhas/os a apoiarem a equidade de gênero e a quebrarem estereótipos.

“Precisamos acelerar os compromissos nacionais para apoiar todas as crianças, pais e famílias a prosperarem e alcançarem a divisão igualitária dos cuidados diários das crianças e de nossos lares pelos homens. Ponto final.”, diz Gary Barker, presidente e CEO do Promundo. “Qualquer coisa menos continua a perpetuar as desigualdades que mulheres e meninas enfrentam todos os dias”.

Governos e empregadores têm um papel na criação de leis e políticas que apoiem todas/os mães, pais, cuidadores e famílias, em toda a sua diversidade, a prosperarem: de creches acessíveis a salários dignos, do apoio social à educação acessível e licença parental igualitária, totalmente paga e intransferível. Eles também têm a responsabilidade de definir esse padrão crucial para o trabalho de cuidado e garantir que ele seja valorizado e compartilhado igualitariamente.

The global report calls for countries, employers, and civil society to commit to accelerate action and support men’s increased participation in unpaid care work. Alongside the State of the World’s Father’s 2019 report, the MenCare Campaign is launching the MenCare Commitment, which aims to facilitate an enabling environment where men take on 50 percent of the unpaid care work by 2030. It also supports fathers to put their intentions to care into action by – at a minimum – taking on an additional 50 minutes a day.

O relatório global afirma que os países, os empregadores e a sociedade civil devem se comprometer a acelerarem a ação e a apoiarem uma participação ampliada dos homens no trabalho de cuidado não remunerado. Juntamente com o relatório Situação da Paternidade no Mundo 2019, a campanha MenCare está lançando o Compromisso Homens Cuidam, que visa facilitar um ambiente favorável onde os homens assumam 50% do trabalho de cuidado não remunerado até 2030. O compromisso também ajuda os pais a colocarem suas intenções de cuidado em ação ao realizar, no mínimo, um adicional de 50 minutos de trabalho de cuidado por dia.

Leia o relatório completo, assista ao filme e faça o download do kit imprensa em: StateoftheWorldsFathers.org

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*A média multipaíses reflete cálculos que dão peso igual a cada respondente em cada subcategoria (ou seja, homens, mulheres, pais, mães), independentemente do país.

 

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