Cuidados na Produção
Sugestões de Abordagem e Cuidados ao Produzir a Matéria
A cobertura do tema Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes é, obviamente, delicado e requer sensibilidade e tratamento diferenciado, tanto por parte do repórter como do editor. Selecionamos dicas que ajudam a evitar os equívocos mais comuns e acrescentamos sugestões capazes de garantir maior qualidade à abordagem:
Cuidados Antes de Fazer a Pauta:
1. Procure boas fontes
Entrevistar múltiplas fontes é essencial para a qualificação da reportagem. A diversidade de vozes ao longo da matéria contribui para compor um panorama contextualizado da violência sexual e também para incorporar diferentes setores da sociedade no debate público sobre a questão.
• O Executivo é responsável pela implementação de ações de proteção, defesa e garantia dos direitos infanto-juvenis.
• Procure os Centros de Referência Especializados em Assistência Social (CREAS), o Disque Denúncia Nacional, os Conselhos Tutelares, os Comitês e/ou Fóruns de Enfrentamento da Violência Sexual, os Centros de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, como também profissionais vinculados a programas federais desenvolvidos nos estados ou municípios, como o PAIR (SDH), Mais Educação e Escola que Protege (MEC), Projovem Adolescente (MDS), dentre outros que fazem interface com a área da violência sexual.
• O Legislativo é o espaço da discussão política sobre o assunto. Consulte vereadores, senadores, deputados estaduais e federais. É importante ouvir comissões temáticas, como as de Orçamento e as de Direitos Humanos, as Frentes Parlamentares pelos Direitos da Criança e do Adolescente ou as Comissões Parlamentares de Inquérito que investigam violência sexual.
• O Poder Judiciário conta com Varas Especializadas em Crimes contra Crianças e Adolescentes, mas infelizmente isso acontece em poucas Comarcas. Caso não haja, os crimes de natureza sexuais tramitarão em Varas Criminais comuns.
• Além disso, há agências internacionais e organizações não governamentais de reconhecida seriedade e experiência no tema que também podem ser consultadas (veja na seção de Links a lista de sites dessas instituições).
2. Investigue
Você pode contribuir com o debate público em torno dessa temática não apenas com cadernos e reportagens especiais, mas também nas matérias do dia-a-dia. Procure diversificar as fontes, apurar as causas do fenômeno e acompanhar a execução orçamentária dos programas e ações de enfrentamento mesmo que o tempo de apuração e o espaço de veiculação sejam pequenos. É importante buscar informações junto à rede hoteleira, motéis, postos de gasolina, taxistas, sobretudo na investigação de casos de exploração sexual e tráfico de crianças e adolescentes com esse fim.
3. Cautela e rigor na apuração
Julgamentos precipitados podem causar sérios danos à imagem ou à integridade física das pessoas. Evite tratar presos e acusados como criminosos. Não esqueça: acusado só pode ser considerado agressor após a sentença da Justiça.



