Radicais Livres
Ano VII - nº 328 • 30 de setembro a 6 de outubro de 2003

A Cara do Brasil
Estatísticas mostram as mudanças sociais e econômicas do País no século XX

• • Com o lançamento da publicação "Estatísticas do Século XX", o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) traz dados que mostram as mudanças na condição de vida da população brasileira, que melhorou em alguns aspectos e piorou em outros. Os resultados do estudo são comparados com os números de crescimento de outros países.
Economia - A riqueza do país, por exemplo, aumentou quase 12 vezes mais que a população. Por outro lado, no fim do século XX, a quantia de dinheiro somada entre os 50% mais pobres do Brasil era igual a renda de apenas 1% dos brasileiros mais ricos. Com esses dados, é possível comprovar o enorme problema de desequilíbrio da distribuição de renda no país. Nesse quesito, o Brasil ocupa a sexta pior posição do mundo. Apesar disso, no século passado, a população presenciou uma média de crescimento econômico de 4,5% ao ano. Essa expansão só foi menor que a de Taiwan e empatou com a da Coréia do Sul. De 1900 a 1973, o Brasil foi o país que mais cresceu economicamente no mundo, mas diminuiu bastante nas décadas de 80 e 90 com o período de estagnação.
Saúde - Os avanços no campo da saúde permitiram ao brasileiro aumentar consideravelmente o tempo médio de vida quando comparado a um cidadão nascido em 1900. Naquela época, e expectativa de vida ao nascer era de apenas 33,6 anos. Na virada do século 21, já alcançava 68,6 anos - uma diferença de 35 anos, mais que uma vida para quem nasceu em 1900. Apesar da evolução, o avanço ainda foi reduzido se comparado ao de outros países. A expectativa de vida média nos países desenvolvidos é 78 anos. Mesmo nos países da América Latina vive-se, em média, 70,3 anos.
Perfil Social - Entre as duas datas limites do século XX, dois grupos se destacam entre a população. As mulheres saltaram de 8,5 milhões em 1900 para 86,2 milhões em 2000 e, assim, superaram em quase 3 milhões o número total de homens – 83,6 milhões no conjunto da população. Em outro quesito populacional, o país ganhou uma configuração bastante diversa da predominante ao longo do século passado. Enquanto em 1940, a população se identificava como predominantemente branca (63,47%), em 2000 esse número havia caído para 53,74%. Já o grupo populacional que se identifica como pardo avançou, no mesmo período, de 21,21% da população para 38,46%.
(Folhateen, Folha de S. Paulo/SP, 6/10, p.11)

Pare e Repare

Alimentos transgênicos geram polêmica no Brasil


• • Desde a liberação do plantio de soja transgênica no Rio Grande do Sul, muita polêmica tem sido gerada. Transgênicos são plantas criadas em laboratórios com técnicas da engenharia genética que permitem “cortar e colar” genes de um organismo para outro, mudando a forma do organismo e manipulando sua estrutura natural a fim de obter características específicas. Os grãos de soja, por exemplo, podem vir a conter genes de uma outra planta que é resistente a determinados insetos. Argumentos contra e a favor do plantio não faltam. Para a organização não governamental Greenpeace, não há estudos suficientes que comprovem que os alimentos transgênicos não fazem mal à saúde. Além disso, ela argumenta que o fabricante desse tipo de produto deve avisar, no rótulo, sobre qualquer mudança genética. A Organização acredita que antes do Governo autorizar qualquer transgênico no país, deveriam ser realizados estudos de impacto ambiental e uma avaliação de riscos à saúde. O engenheiro agrônomo da Embrapa Camilo Plácido Vieira é totalmente a favor das pesquisas sobre transgenia. “Usar ou não transgênicos será uma opção da sociedade”, garante o pesquisador. “Todo mundo se preocupa com eles e se esquece do abuso de inseticidas, do manejo do solo em mata ciliar, e dos desmatamentos irregulares”, observa. Para os especialistas no assunto, o uso de soja transgênica, por exemplo, será opção de mercado. Se o produtor preferir utilizar herbicida fica a critério dele. “O que precisa ter no Brasil é educação”, conclui.
(Zine, Diario de Cuiabá/MT, 5/10, p.5 – Roseli Riechelmann) 

A vida como ela é
Temas que fazem a diferença

                                    
Atualidades

• • Teve início no dia 4 de outubro a programação da Semana Internacional Mundo Unido, que acontece simultaneamente em mais de 180 países. O tema deste ano é "Dê espaço a paz". A Semana acontece há oito anos e nasceu por iniciativa do braço jovem do movimento Focolare, criado na Itália durante a 2ª Guerra Mundial. Em Manaus, o movimento "Jovens por um mundo unido" preparou uma programação especial para a cidade, com diversas manifestações artísticas, um pedágio pela paz no trânsito e uma coligação telefônica simultânea no mundo inteiro, na qual jovens de várias partes do planeta contam suas experiências na promoção e busca pela paz. O objetivo dessas atividades é reforçar as ações pela paz. De acordo com os jovens do movimento, a humanidade só vai superar o medo quando todos se sentirem irmãos. Além disso, esclarecem que a paz que eles defendem é construída no dia-a-dia. "A gente vive isso o ano inteiro porque a paz não é coisa de momento. Mesmo na diversidade podemos viver a paz, que começa dentro de cada um. A Semana Mundo Unido é uma forma de dar visibilidade às nossas ações e sensibilizar a opinião pública", explicam. Segundo eles, o evento dá visibilidade também a uma maneira de vida que parece ter acabado, mas que ainda é o ideal de muitos jovens: a unidade construída com o respeito à opinião de cada um.
(Papo cabeça, A Crítica/AM, 4/10, p.B3 - Omar Gusmão) 
                                    
Comportamento

• • Cada vez mais os homens assumem uma postura vaidosa e mostram que não é preciso esconder a sensibilidade masculina. “Ser vaidoso para mim é cuidar da aparência e andar bem vestido”, resume Daniel Miranda, 15, acrescentando que esses cuidados atraem a atenção das meninas. Para Afonso Freitas, 15, vaidade é se sentir bem com o que está usando. “Mas nada disso adianta se o cara não tiver bom papo e inteligência”, pondera David Bandeira, 15.
(Forteens, Meio Norte/PI, 2/10, p.D7 – Gilson Rocha) 
 
Educação

• • Fugindo do mero resumo de livros praticado por várias escolas e cursinhos, os professores do 2º grau do Complexo Educacional Henrique Castriciano, de Natal, resolveram fazer diferente: com base nas obras indicadas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) para o vestibular, a escola desenvolveu o projeto Literatura é Vida. O projeto visa envolver alunos e professores numa troca de conhecimentos transdisciplinares, sem utilizar o quadro-negro. Eles utilizaram o livro A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, por exemplo, e envolveram elementos da história dos personagens e da escritora em disciplinas como Geografia, História, Português, Inglês. Eles fizeram até um perfil psicológico da personagem principal, Macabéia. “Há toda uma integração de professores e alunos com o projeto. Foi produzido um material teórico e feita uma avaliação para os pré-vestibulandos com resultados positivos”, relata Ana Maria Brandão, coordenadora do Ensino Médio na escola. Para o professor de Geografia, Adonis Rocha, assim o processo de aprendizagem é mais interessante.
(Vestibular, Diário de Natal/RN, 1/10, p.4)  
 
Família

• • Mimado, egocêntrico, egoísta e problemático. Estes são alguns dos adjetivos que tem que ouvir, da infância à vida adulta, quem é filho único. “Fico muito grilada com isso, porque sei que não sou assim. Trato todo mundo bem, não sou preconceituosa em relação a nada, e, podendo, empresto ou até dou as minhas coisas”, argumenta a universitária Ana Flávia Pacheco, de 19 anos. Para Gabriel Queiroz, 13, ter irmão nem sempre é sinônimo de companhia. “Ficava triste imaginando como seria ter alguém para brincar dentro de casa. Depois acabei descobrindo que muitos dos meus amigos que tinham irmão viviam brigados”, diz Gabriel. De acordo com a psicoterapeuta Inês Pena, a maioria dos filhos únicos é vulnerável e acaba aceitando o que o grupo propõe. “Para ele, a negociação com o mundo fora de casa e da família é muito complicada; é difícil mediar”, explica a psicoterapeuta.
(Pop, O Popular/GO, 2/10, p.7 – Patrícia Drummond)  

• • Os adolescentes filhos de empresários nem sempre procuram seguir a carreira dos pais, mesmo que para isso seja necessário contrariar os interesses familiares. “Trabalhar em família é uma tarefa difícil. O filho do dono da empresa, por exemplo, será cobrado duas vezes: pelo pai, que vai exigir dele um desempenho melhor do que o de um funcionário comum, e também pelos outros funcionários, uma vez que ele sempre será encarado como ‘filho do dono’”, explica o consultor João Alberto Simião, que há dez anos ajuda filhos de empresários a traçar seu plano de vida. Segundo ele, a genética não contribui para o sucesso na administração dos negócios: “o jovem tem que se preparar para ser profissional no mercado de trabalho, independentemente das expectativas da família ou do fato de já ser filho de empresário”. “No futuro, pretendo trabalhar com meu pai. Mas, antes disso, quero me profissionalizar para que eu possa realmente dar alguma contribuição na empresa”, afirma Arthur Trauczynski, 15, irmão de Nicole, 20 e Raul, 17, que também vêem os negócios de família como uma boa oportunidade de trabalho.
(Fun, Gazeta do Povo, 3/10 - Danielle Blaskievicz) 

• • A maioria dos adolescentes reconhece que a existência de limites é fundamental na sua vida e aponta que pais liberais demais correm o risco de perder o controle dos filhos no cotidiano. “Se meus pais colocam limites, sei que é para o meu bem”, diz Ana Paula dos Santos, 15. Para a adolescente, pais participativos deixam os filhos mais seguros para enfrentar a vida. A psicóloga clínica Nelci Maria Arantes explica que os limites devem fazer parte da nossa vida desde a infância. “Uma criança acostumada com as proibições encara os limites com mais passividade, não como uma invasão de privacidade. Se não existem limites, os adolescentes terão problemas no futuro”, afirma Nelci. A psicóloga alerta ainda que o adolescente precisará conviver com restrições na vida, uma vez que existem limites em todo tipo de relacionamento social. “Além disso, os pais devem estar mais próximos e mais amigáveis, além de demonstrarem confiança no filho. Nessa fase, o diálogo é fundamental”, acrescenta.
(Teen, O Liberal, 3/10 - Juliana Pinheiro)  
 
Mídia

• • Será realizado entre os dias 6 e 8 de outubro o III Seminário Mídia, Infância e Adolescência, em São Luís – MA. Em pauta, o comportamento da mídia quando o assunto é a criança e o adolescente. O Seminário vai acontecer no auditório do Ministério Público e vai contar com a participação de alguns Jornalistas Amigos da Criança, profissionais que se comprometeram com a defesa pela garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes. Entre os palestrantes, a ex-integrante do conselho editorial do Galera, Amanda Mouzinho, que vai participar do painel “Voz para Crianças e Adolescentes na Mídia”.
(Galera, O Estado do Maranhão/MA, p. 2 4/10)  
 
Questões Contemporâneas

• • O sistema de cotas na Universidade Estadual do Rio de Janeiro mudou. Em vez de três leis, como no último vestibular, agora só há uma, que além de reduzir o percentual de vagas reservadas para 45%, traz uma polêmica: para ter direito às cotas, alunos da rede pública que sejam negros, pessoas com deficiência ou integrantes de minorias étnicas devem provar que a renda por pessoa da família do estudante é de até R$ 300. "Meu pai ganha R$ 800 para sustentar cinco pessoas. A mudança na lei vai ajudar alunos de escolas estaduais que, como eu, sofrem com a falta de professor”, diz Vanessa Rosa, vestibulanda de direito. Para aqueles que estudam em colégio particular, mas poderiam se candidatar à cota para afrodescendentes, a mudança não foi tão bem-vinda. “Acho que perdi a chance. Mas a mudança vai beneficiar pessoas que não tiveram ensino de qualidade como o meu”, pondera Igor Vianna, candidato ao curso de engenharia de produção. O advogado e representante de dez entidades do movimento negro, Humberto Adami, espera que o estabelecimento de uma renda familiar máxima mude o perfil dos cotistas. “Com essa restrição, negros pobres terão mais chance de estudar. É importante aumentar o percentual de negros na universidade pública”, diz Humberto.
(Megazine, O Globo/RJ, 30/9 - Ediane Merola)  
 
Saúde

• • O crescente uso de piercings entre os adolescentes têm gerado muita preocupação entre especialistas. O adorno pode ser transformado em um problema de saúde se o candidato não tiver cuidados de higiene durante a colocação e a cicatrização. “Quando a pessoa fura a pele, abre caminho para uma série de impurezas penetrarem no local”, avisa a dermatologista Denise Steiner, de São Paulo. A partir daí, a área fica vulnerável
 a inflamações. O dermatologista Eduardo Lacaz Martins, médico-assistente da Faculdade de Medicina do ABC acrescenta que também pode haver a formação de quelóides (cicatriz exagerada que forma uma marca no local). Aliás, as pessoas que têm predisposição ao problema devem esquecer o piercing, porque o resultado estético não é nada bonito. Mais radical, o dentista Olympio Faissol, do Rio de Janeiro, é totalmente contra o uso de piercings, especialmente na língua. “É um local muito vascularizado e um furo abre as portas para infecções graves”, alerta Faissol. Ele acrescenta: “Se o objeto não for de ouro, de platina ou de uma liga composta em 85% pelos dois elementos o risco é ainda maior. O objeto pode causar reações químicas no organismo e até levar à morte”. Escolher um bom profissional e manter o local bem limpo são algumas das recomendações.
(Zine, A Gazeta/MT, p. 16, 5/10) 

• • Pesquisa realizada com mais de 3 mil adolescentes de ensino médio do Rio de Janeiro mostra que cerca de 75% estão insatisfeitos com o próprio corpo. Mais da metade não apresenta hábitos alimentares saudáveis, embora quase todos confessem pensar muito em comida, peso e dieta. A pesquisa foi realizada pela Dra. Paula Melin, da Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro (Aperj) com 3.152 estudantes de 10 escolas particulares de ensino médio da cidade do Rio de Janeiro. Foram ouvidos 1.460 rapazes e 1.692 garotas de 13 a 20 anos. A pesquisa também mostra que 47,4% dos homens e 64,1% das mulheres ouvidas não apresentam padrões alimentares saudáveis. Outra revelação curiosa da pesquisa foi a de que mulheres se sentem mais culpadas quando comem muito (78%) do que os homens(44%). Quando indagados sobre os hábitos de comer “bobagens” entre as refeições principais, as mulheres também ficam na frente com folga: 85% disseram que sim, contra 65% dos homens. “Infelizmente ainda impera a crença de que ser magro significa ter sucesso e que fazer dieta é um modo melhor de alcançar um peso saudável do que a alimentação equilibrada e a prática regular de exercícios”, disse a Dra. Paula Melin. Os transtornos alimentares são um problema crescente nas sociedades ocidentais modernas e, entre as doenças psiquiátricas, são as que mais causam mortes. “É importante identificar os fatores culturais associados a esses transtornos para poder reduzir o número de jovens que os desenvolvem”, explica a especialista. “O valor que a sociedade coloca na magreza e na dieta é de importância crucial para entender a origem dos transtornos alimentares, alerta.   
(Zine, A Gazeta/MT, p. 10, 5/10) 
 
Trabalho

• • O momento da escolha profissional normalmente ocorre quando se está no Ensino Médio. Mas desde a infância, as pessoas entram em contato com as profissões, sendo influenciadas pela professora, pelos pais e irmãos. Conseguir um emprego enquanto cursa a escola é uma boa dica para quem não tem a mínima idéia do que é ter uma profissão. Assim o adolescente já começa a ter uma experiência profissional que pode ajudar na hora de conseguir um bom emprego. O jovem não deve pensar apenas em salários na hora de escolher a profissão. Para que se destaque na profissão e tenha sucesso na carreira é necessário gostar do que faz. “É importante que você pense nas coisas que tem prazer em realizar, estudar, trabalhar e que tem facilidade”, recomenda a psicóloga Glória Izildinha Sanches de Lima. A psicóloga explica que quando se está em dúvida, é preciso procurar pessoas da área. “Obter mais informações sobre as profissões e relacioná-las com você faz com que sua decisão seja mais segura e responsável”, diz a psicóloga. “Esta não é a primeira e não será a última escolha de sua vida”.
(Todateen, outubro, p.13) 

Bola na Rede
O que os sites falam sobre os jovens

• • No site
http://beinggirl.net as meninas encontram informações sobre menstruação, sexo e produtos direcionados para as garotas. Outras dúvidas sobre saúde sexual podem ser respondidas pelo site www.duvidasteen.kit.net. Além disso, é possível ler depoimentos de outros jovens.
(Todateen, outubro, p.13) 

• • O Projeto Aventura Especial (
www.aventuraespecial.com.br), que trabalha pela inclusão de pessoas com deficiência na área do ecoturismo e prática de esportes na natureza, está inaugurando um site totalmente reformulado. O projeto, idealizado pelo fotógrafo Dadá Moreira, deficiente físico e praticante de esportes radicais, visa conscientizar empresários da importância de adaptar seus estabelecimentos e atividades para atender esse público e minimizar o preconceito. O site traz experiências de ecoturistas com deficiência e dá dicas de roteiros ecológicos.
(Pop, O Popular, 2/10, p.7 – Patrícia Drummond) 

Canal Social
TV que se vê

AçãoGlobo – Sab, 7h30
 
• • O esporte é um grande meio para inclusão social de crianças e jovens no Brasil. O Ação do último sábado mostrou dois campeões de judô que usam a modalidade para ensinar disciplina e cidadania para garotos e garotas de Brasília. A equipe do programa conferiu o projeto de José Mário Tranquillini, que ensina judô a 450 alunos de baixa renda, além de oferecer cestas básicas às famílias. No estúdio, Serginho Groisman recebeu Aurélio Miguel, medalhista de ouro na Olimpíada de Seul, em 1988. Aurélio apóia o projeto de Tranquillini e defende o judô como um caminho para a educação. "O esporte é um grande instrumento para a cidadania", afirma. O Ação exibiu ainda a emoção de Luana Piovani ao visitar o CACCC - Centro de Apoio à Criança Carente com Câncer, que atende 25 crianças em São Paulo. A atriz é uma das voluntárias que ajudam a arrecadar doações para a instituição. 
 
Outras Palavras
O que os adultos lêem e vêem sobre os jovens
  
• • O número de adolescentes grávidas em Belo Horizonte dobrou em dez anos. De acordo com a análise do Atlas de Desenvolvimento Humano, o número de meninas grávidas de 15 a 17 anos aumentou de 2,3% para 5,6%. Além disso, os estudos revelaram que os casos de gravidez precoce na capital mineira aumentaram em uma velocidade duas vezes maior que no restante de Minas Gerais e do País.
 Esse quadro demonstra a alta vulnerabilidade das adolescentes belo-horizontinas e a necessidade da adoção de políticas públicas para reverter essa situação. Nas regiões do Alto Paranaíba, Noroeste e no Triângulo de Minas, estão as sete cidades com maior número de mães adolescentes. Esses índices não permitiram um aumento mais considerável do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado e de Belo Horizonte. Minas teve um salto de 0,697, em 1991, para 0,773, em 2000, em uma escala que varia de 0 a 1, sendo que a partir de 0,8 a região é considerada de alto desenvolvimento humano.
Indicadores – A cidade de Espera Feliz, no Sul de Minas, apresenta queda no índice de adolescentes grávidas. O número de meninas entre 15 e 17 anos com filhos caiu de 9,89% para 0,25%, de 1991 para 2000, perdendo apenas para as cidades mineiras de Brumadinho e Perdões. De acordo o prefeito de Espera Feliz, Tarcisio Maria de Lacerda, a criação da Secretaria do Serviço Social e a implantação do Programa de Saúde da Família podem ser responsabilizados pela melhoria nos índices. Já a cidade de Monte Alegre apresentava casos de gravidez entre 3,53% das adolescentes. Mas, em 2000, uma em cada cinco meninas já tinham filhos. Segundo a assistente social da prefeitura, Rachel Domingues Parreira, a causa mais grave é a exploração sexual infanto-juvenil, que cresceu em decorrência de problemas familiares. Além disso, a cultura do local valoriza o casamento precoce, o que aumenta o número de jovens grávidas.
(Estado de Minas, Tacyana Arce – 6/10) 

• • Blitz realizada na sexta-feira (3) pela Fundação para a Infância e a Adolescência (FIA) recolheu oito jovens nas ruas da Zona Sul da capital fluminense. A operação tem o objetivo de coibir a exploração sexual de adolescentes. A campanha teve início em 2002. Na época foi feito um levantamento dos principais pontos onde as jovens eram exploradas. Foram detectados os bairros de Copacabana, Barra da Tijuca e Centro. Segundo Adriana Guilherme, gerente do Programa de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescente do programa pela FIA, 1.440 jovens receberam atendimento. Foram 85% de meninas e 15% de meninos. O índice de reincidência é de 40% a 50%.
(O Globo-RJ, Rio, p. 23, Jorge Martins – 4/10) 

• • Na última segunda-feira (6), um protesto organizado pela Associação de Mães e Amigos da Criança e do Adolescente em Risco (Amar) e por entidades de direitos humanos, pediu a humanização é a vida nas unidades da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem). O ato público aconteceu às 14h, na Praça da República, Centro de São Paulo. Os manifestantes entregaram para a relatora especial da ONU sobre execuções sumárias, Asma Jahangir, em sua visita à Febem, na semana passada, um relatório denunciando maus-tratos na Fundação. No documento são relatadas oito mortes ocorridas nos últimos seis meses em unidades da fundação – sete internos e um funcionário. O relatório também denuncia que 20 ex-internos da Febem – vivendo sob a custódia do estado, cumprindo liberdade assistida ou executando prestação de serviços à comunidade – morrem por mês na grande São Paulo, conforme levantamento realizado neste ano pela Vara da Infância e Juventude. Entre os manifestantes estavam mães de internos que foram torturados ou assassinados em unidades da Febem. Elas contaram o que ouviram dos filhos sobre maus-tratos e violência e também mostraram cartas recebidas dos adolescentes. Entre as entidades que participaram do protesto estavam o Grupo Tortura Nunca Mais, Justiça Global, Unicef, Fundação Abrinq, Pastoral do Menor, Comissão de Direitos Humanos da OAB e Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua.
(Diário de S. Paulo – 6/10) 

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