Rádio Pela Infância
Nº 65 - Brasília, abril de 2004

Em busca de uma mídia de qualidade para crianças e adolescentes

O tema desta edição somos nós! Isso mesmo, os comunicadores, a gente que faz programas de TV, de rádio, sites na internet e jogos de computadores para as crianças e adolescentes. Também o tema são os pais, os tios, os avós, os irmãos das crianças e adolescentes que vêem, ouvem, navegam e jogam esses produtos.

Esta edição trata da 4ª Cúpula de Mídia para Crianças e Adolescentes. A Cúpula acontece no Rio de Janeiro. Vão participar mais de 2 mil pessoas, vindas de todo o mundo, para debater a mídia feita para crianças e adolescentes nos quatro cantos do planeta.

Além desses especialistas, comunicadores e executivos, 150 adolescentes vindos dos mais diferentes países e de todo o Brasil também vão participar da Cúpula. Eles também vão trocar experiências e pesquisas sobre a influência que os meios de comunicação exercem nas crianças, como esses mesmos meios poderiam apoiar mais os objetivos da educação de meninas e meninos, quais são os critérios que podemos ter para classificar os programas como bons, ruins...

O pessoal do rádio também participa e tem sugestões sobre como melhorar a programação e essa relação da mídia com as crianças e adolescentes.

Confiram na página 3.

Um forte abraço e acompanhem os debates em torno da Cúpula.

Saiba mais sobre a Cúpula Mundial

De 19 a 23 de abril, o Rio de Janeiro será cenário da 4ª Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes. O evento é a maior reunião de produtores, especialistas, pesquisadores de programas de TV, rádio e internet para crianças. Participam da Cúpula 2 mil pessoas. Elas vão debater temas como a violência na TV e nos jogos de computadores, a qualidade dos programas infantis e para jovens, a audiência infantil de programas feito para adultos, como telejornais e novelas.

Como melhorar a qualidade da programação de rádio e TV feita para crianças? Como as escolas podem ajudar meninas e meninos assistirem à TV ou ouvirem rádio com uma atitude mais crítica? Os governos devem criar critérios rígidos para a exibição de programas de TV, como horários e conteúdos? Os pais devem ou não censurar o que ouvem ou vêem seus filhos? Essas são algumas das questões que os participantes da Cúpula vão tentar responder.

Para ajudar a encontrar respostas, serão apresentadas experiências de TVs, rádios e ONGs em todo o mundo. Entre essas experiências, estão projetos em que crianças e adolescentes participam da produção dos programas. Como a Fundação Casa Grande, no Ceará, onde as crianças são produtoras, redatoras e apresentadoras de uma das rádios mais ouvidas da cidade de Nova Olinda.

A 4a Cúpula é realizada pela Prefeitura do Rio e a ONG Midiativa e tem apoio da ANDI e do UNICEF.Você também pode participar. A ANDI e o UNICEF criaram na Internet um espaço de debate sobre as questões que serão debatidas na Cúpula. Acesse www.andi.org.br/mini_sites/rio2004. As opiniões recolhidas neste Fórum Mídia e Adolescentes serão levadas ao evento.

Entreter e educar sem perder a criatividade
O papel das mídias para crianças e adolescentes deveria ser entreter e educar sem deixar de lado o senso crítico e a criatividade. Discutir questões como essa e muitas outras é o objetivo da 4ª Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes que acontece no Rio de Janeiro, de 19 a 23 de abril. Esta edição do Rádio pela Infância também se dedica ao assunto.

A mídia tornou-se uma das principais formas de entretenimento e interação da criança com o mundo. A televisão, por exemplo, está presente em 89,9% dos lares brasileiros e o rádio, em 86%, segundo dados da Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílios (PNAD) de 2002. Outro estudo realizado pela MultiFocus Pesquisa de Mercado com 1.500 meninos e meninas, de 6 a 11 anos, das classes A, B e C, residentes em grandes cidades brasileiras, revelou que quase todos os entrevistados (99%) assistem à TV.

Por meio da mídia, crianças e adolescentes têm acesso a informações que antes faziam parte exclusivamente do universo dos adultos. A quantidade de conteúdo que crianças e adolescentes absorvem via TV, rádio e internet aumenta a cada dia. O tempo de exposição a esses meios de comunicação também preocupa. Segundo pesquisa A Voz dos Adolescentes do UNICEF de 2002, o tempo médio dedicado diariamente pelos adolescentes à TV é de quase quatro horas. Isso significa que, muitas vezes, crianças e adolescentes ficam mais tempo na frente da TV do que com os pais ou na escola.

Aliada na educação

Nesse contexto, é importante transformar a mídia em aliada. A idéia é aproveitar todo o potencial que esses meios de comunicação têm de entreter e informar para educar. Esses veículos podem se tornar ótimos meios para desenvolver o conhecimento em sala de aula. Alunos e professores podem lançar mão da linguagem televisiva, radiofônica, e mesmo da internet, para trabalhar conteúdos escolares. É a chamada educomunicação.

Além de utilizar a mídia como recurso para enriquecer as experiências de sala de aula, é importante preparar crianças e adolescentes para se posicionar diante daquilo que assistem na TV ou ouvem no rádio. Refletir a produção da mídia na escola, relacionando-a com as disciplinas escolares, pode ajudar os estudantes a se tornar cidadãos mais críticos.

A publicidade veiculada na mídia também precisa ser discutida em sala de aula. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, por exemplo, apontou que quanto mais as crianças assistem à TV, menos frutas e vegetais elas comem. Isso acontece porque a maioria das propagandas de comida exibidas durante programas infantis vai contra os hábitos saudáveis de alimentação. Na escola, professores podem estimular o debate sobre esse tipo de comportamento e demonstrar a importância de uma boa alimentação para o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Boas iniciativas

Alguns exemplos podem ilustrar a capacidade da mídia de educar e ao mesmo tempo de divertir. Programas como a Ilha Rá-Tim-Bum, da TV Cultura, o Sítio do Picapau Amarelo e o Altas Horas da Rede Globo, podem ajudar crianças e adolescentes a exercitar a imaginação e ao mesmo tempo despertar o aprendizado e a reflexão.

O Sítio, por exemplo, estimula o gosto pela literatura brasileira. Já a Ilha Rá-Tim-Bum utiliza o universo de fantasia para abordar questões como solidariedade, higiene, cidadania, respeito ao meio ambiente e a diversidade de culturas e hábitos.

Direcionado para o público jovem, o Altas Horas abre espaço para discussões entre a platéia e atores, atletas e músicos entrevistados. Os bate-papos giram em torno da carreira, educação, política, cultura e de temas sociais. O grande diferencial está na mediação de Serginho Groisman, reconhecido como o mais qualificado e completo apresentador de programas para jovens da televisão brasileira.

Participação

A participação de crianças e adolescentes na produção desta programação também é fundamental. Eles precisam se identificar com aquilo quem vêem na TV, ouvem no rádio, na internet ou em qualquer outra mídia. Para isso, nada melhor do que programas produzidos pelas próprias crianças e adolescentes. Uma outra vantagem da presença desses meninos e meninas atrás das câmeras ou do microfone é que esse tipo de experiência pode contribuir bastante para a sua formação. Ao dominar as linguagens da TV, do rádio ou de qualquer outro veículo, crianças e adolescentes têm a oportunidade de desenvolver a habilidade de se expressar de forma crítica e criativa.

Notícias para o Locutor

Rádio precisa abrir espaço para produção infantil de qualidade
Segundo dados do Instituto Ipsos-Marplan, em média, 88% da população brasileira sintoniza alguma emissora de rádio pelo menos uma vez por semana. Depois da televisão, o rádio é o veículo de maior audiência no país. Uma outra pesquisa, realizada pela MultiFocus, aponta que 87% dos meninos e meninas ouvem rádio no Brasil. Estes números demonstram o quanto essa mídia é importante para crianças e adolescentes. Contudo, a produção radiofônica voltada para esse público ainda é muito pequena e muitas vezes de baixa qualidade, principalmente nas rádios comerciais. Para saber a opinião dos próprios radialistas sobre o tema, o Rádio pela Infância ouviu alguns profissionais. Confira.

Beronisa Pereira Cronemberger, 51 anos. Trabalha na Rádio Comunitária Malhada do Jatobá, em São João do Piauí.

Políticas Públicas - Deveria haver apoio estatal para as pequenas emissoras, principalmente as de rádio e TV comunitárias. Esses veículos não visam lucro e têm bons trabalhos voltados para crianças e adolescentes, apesar de enfrentarem grandes dificuldades para produzi-los. Por outro lado, a grande mídia sempre conta com recursos do Estado mas nem sempre respeita o público infantil.

Educação e participação - O rádio pode educar por meio de programas interessantes que transmitam informações, orientações e que permitam a participação dos ouvintes. Ouvir e envolver crianças e adolescentes na produção de programas de música, de esportes e de informação, procurando sentir quais as suas preferências, de modo que a produção da emissora esteja sintonizada nos desejos e necessidades do público infanto-juvenil.

Boas iniciativas - A rádio Comunitária Malhada do Jatobá, de São João do Piauí, emissora em que trabalho, veicula o Canto e Encanto da Criança, programa produzido e apresentado por crianças.

Contato:
Canto e Encanto da Criança
Fone: (89) 483-2166 / 483-1095
E-mail: cmdocabo@uol.com.br

Ana Maria da Conceição Veloso, 33 anos. Trabalha há 12 anos com rádio e atualmente é assessora de comunicação da ONG Centro das Mulheres do Cabo, em Pernambuco. A ONG desenvolve capacitações a rádios comunitárias da região.

Participação e democratização -Democratizar o acesso é possibilitar às comunidades – inclusive crianças e adolescentes – o acesso aos meios de produção das informações e poder utilizá-los soltando sua voz ou escrevendo no papel suas reivindicações.

Audiência X Qualidade – Ter audiência é importante. No entanto, a função social e a responsabilidade com o que se transmite deve ser a maior preocupação do (a) comunicador (a). Nesse sentido, programas de qualidade, que respeitam os direitos das crianças e adolescentes podem ser produzidos de modo a atrair o público.

Boas iniciativas – Em Pernambuco, há o programa Jovem em Ação, produzido pelos jovens comunicadores do Centro das Mulheres. Também registramos iniciativas em rádio comunitária e jovens no bairro do Alto José do Pinho e de jovens do Cabo que passaram pelo projeto Jovens Comunicadores e hoje possuem uma ONG de comunicação atuando no município.

Contato:
Centro de Mulheres do Cabo
Fone: (81) 3524-9170
E-mail:
cmdocabo@uol.com.br

Airton Medeiros, 55 anos de idade, dos quais 35 dedicados ao rádio. Há 22 anos na Rádio Nacional, sendo que, 15 como locutor do programa Voz do Brasil. Fundador e idealizador da ONG Escola Brasil, um dos poucos programas educativos no rádio brasileiro, que atualmente está fora do ar por falta de financiamento.

Participação e democratização
- Antes de existir a TV, os programas de rádio eram muito melhor produzidos. Hoje são raríssimos os programas dedicados à criança no rádio. Eu acho que esse é um trabalho que deve ser feito com as emissoras de rádio, principalmente as comunitárias. Precisamos convencer os radialistas a fazer programas para a criança que despertem o gosto pela leitura, pelos estudos, pelos esportes etc.

Educação
– Com o trabalho que fizemos no Escola Brasil provamos que é possível educar por meio do rádio. No período em que esteve no ar, o programa recebeu 41 mil cartas de crianças e adolescentes com perguntas variadas. Sempre tivemos muito cuidado para respondê-las, ensinando os mais diversos assuntos. Se mais emissoras fizessem um trabalho semelhante, poderíamos mudar o país.

Boas iniciativas
- Tínhamos o Escola Brasil que está fora do ar. Era um programa de rádio diário com meia hora de programação educativa. Infelizmente, são poucos os programas que se dedicam a esse público.

Contato:
Escola Brasil

Fone:(61) 327-1722
E-mail: airton@escolabrasil.org.br

UNICEF lança álbuns com dicas sobre saúde da criança
Publicações ajudam famílias a conhecer o desenvolvimento das crianças de zero a seis anos de idade

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Governo Federal e 40 instituições parceiras lançam, no dia 19 de abril, o kit Família Brasileira Fortalecida. São cinco álbuns com ilustrações que tratam dos cuidados que cada família deve tomar para que suas crianças cresçam saudáveis.

Cada um dos álbuns trata de uma fase da vida da criança. Eles reúnem os conhecimentos científicos mais avançados e explicam essas informações com linguagem simples e adequada às famílias e aos agentes comunitários.

Prevenção ao HIV/Aids, vacinação, identificação de doenças e outros cuidados são explicados passo a passo. Os álbuns também oferecem informações sobre a importância da participação do pai no desenvolvimento do filho. Contam como e por que as crianças devem ser estimuladas desde os primeiros dias de vida com hábitos simples das famílias, como conversar com o bebê, contar-lhe histórias, cantar e mostrar cores.

Agentes de saúde, educadores de creches e pré-escolas, líderes comunitários e outros profissionais que trabalham com desenvolvimento infantil em 18 estados receberão 11 mil kits Família Brasileira Fortalecida. Calcula-se que cada kit atinja, em média, 200 famílias. Serão, portanto, mais de 2 milhões de famílias beneficiadas.

Semana de Vacinação vai beneficiar 40 milhões de pessoas

Entre os próximos dias 24 e 30 de abril, profissionais de saúde de todo o continente americano vacinarão 40 milhões de pessoas. Entre elas, 15,5 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade e 1,5 milhão de mulheres em idade fértil. É a Semana de Vacinação nas Américas, apoiada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e coordenada pela Organização Pan-americana de Saúde (OPAS).

Durante a Semana, os países americanos darão prioridade ao atendimento de meninas e meninos que normalmente não participam das campanhas nacionais de vacinação. Aqueles que vivem em zonas rurais de fronteira receberão atendimento especial. Serão distribuídas vacinas contra o sarampo, a pólio, a rubéola, a gripe e o tétano neonatal. No Brasil, o governo aproveitará a data para estimular a vacinação de crianças indígenas, que muitas vezes moram em áreas remotas e de difícil acesso para os profissionais de saúde.

Programação televisiva para adolescente é analisada em livro

A
ANDI lança, em abril, no Rio de Janeiro, durante a 4ª Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes, o livro Remoto Controle - Linguagem, conteúdo e participação nos programas de televisão para adolescentes. A publicação analisa a produção de dez programas de televisão brasileiros que têm o adolescente como público-alvo e chama atenção para temas que afetam diretamente a qualidade da produção e a formação dessa faixa etária. O texto avalia ainda a linguagem e o conteúdo dos programas para crianças e adolescentes e as formas de participação desse público nesses programas.

A obra integra a Série Mídia e Mobilização Social, que tem como objetivo instrumentalizar jornalistas, comunicadores, fontes de informação e estudantes universitários para a prática de uma comunicação socialmente responsável e de qualidade. A ANDI já produziu outros seis volumes da série, sobre temas como Educação Infantil, Trabalho Infantil Doméstico e Pobreza, Desigualdade e Desenvolvimento Humano e Social, entre outros.

Serviço:
Para adquirir os volumes: livrarias ou na Cortez Editora - Telefone: (11) 3864-0111 e Fax: (11) 3864-4290
Internet: www.cortezeditora.com.br

Expediente:
Edição:
Viviane Danin, Rachel Mello

Reportagens:
Ana Cláudia Costa, Carolina Pompeu e Ana Gabriella Salles

Diagramação e ilustrações:
Daniel Abs

Revisão:
Letícia Sobreira

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