Elói Oliveira

Um misto de frio na barriga, alegria e conquista. Assim eu posso descrever a minha emoção quando recebi a notícia que tinha sido escolhido um Jornalista Amigo da Criança. É uma grande honra, semelhante a ganhar alguns dos mais renomados prêmios de jornalismo do país.

Essa emoção pode ser entendida porque a minha luta em defesa dos direitos das crianças começou muito antes de eu querer ser um jornalista. Tinha 15 anos, quando alguns amigos e eu decidimos saber quantas crianças estavam fora da escola em Lagoa Santa, cidade da grande Belo Horizonte. Criamos um movimento chamado Arrastão Cívico, em que íamos de casa em casa perguntando se elas estavam estudando. Descobrimos que muitas delas não estavam estudando. Fomos atrás das vagas nas escolas, garantimos materiais escolares e condições para que elas retornassem a sala de aula. Desse movimento nasceu a ONG Pacto de Lagoa Santa pela Educação. Conseguimos mobilizar mais de 200 voluntários e, em pouco mais de trêsanos, zeramos o índice de evasão escolar do município. O trabalho foi reconhecido pela ONU, através do apoio do Unicef e de outros parceiros do projeto.

Foi a partir deste trabalho que nasceu minha paixão pelo jornalismo. Porque enxerguei nesta profissão a capacidade de provocar mudanças, cobrar melhorias e dar voz as histórias. O poder transformador da comunicação me motivou a ingressar na faculdade de jornalismo e foi, nesta época, que ouvi falar, pela primeira vez, dos famosos "Jacas". Nomes importantes do jornalismo figuravam nas listas de agraciados com esse diploma. Recordo-me de dizer aos colegas de faculdade sobre o meu desejo de me tornar um daqueles nomes por mais distante que aquela ideia pudesse parecer.

Sabia que a caminhada seria longa. E não é que nove anos depois de me formar recebo um telefonema que me deixou eufórico: havia acabado de me tornar Jornalista Amigo da Criança.

Agradeço ao reconhecimento, mas sei a responsabilidade que esse título tem. Por isso, a minha preocupação diária em melhorar sempre as abordagens das reportagens que faço e conciliar com isso os interesses editoriais das redações. Mesmo assim, é uma luta da qual vale a pena. Sempre!!

Elói Marcelo de Oliveira Silva
02 de Agosto de 2013
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