17 de Abril de 2018
Violência sexual: criança dá sinais quando algo está errado, diz delegado

Veículo: 
Folha de Pernambuco

De acordo com a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, 609 crianças (entre zero e onze anos) sofreram violência sexual em Pernambuco em 2017. O dado reflete a necessidade de se denunciar os casos. A Polícia Civil de Pernambuco apresentou nesta segunda-feira (16) detalhes das prisões de dois homens suspeitos de crimes sexuais contra menores de idade. O primeiro caso, ocorrido no Ibura, Zona Sul do Recife, envolve um pastor de uma igreja evangélica de 52 anos, acusado de ter estuprado sete crianças. Já o segundo se refere a um professor de 32, de Olinda, que seria responsável por orgias com duas meninas de 14 e 15 anos com participação de esposa dele.

Entre as autoridades, a ideia de uma presença maior dos pais na vida dos filhos é consenso. Conselheiro tutelar do Ibura, Jemerson Silva é enfático: “Os pais têm que ter mais atenção. Muitas vezes há o medo de falar. Tem que ser trabalhado muito isso”. A cada semana, o Conselho Tutelar realiza palestra em uma escola da rede pública. “Percebemos que muitos desses menores vêm falar com a gente, apontando casos”, diz.

Gestor do Departamento de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA), Darlson Macedo endossa o alerta. “A gente sempre bate nessa tecla de que os pais precisam acompanhar os filhos, ver o comportamento. A criança dá sinais quando algo está errado, ficando irritada, violenta, introvertida. É um crime que geralmente não tem testemunhas e nem deixa vestígios”, afirma.

Quando o Conselho Tutelar é acionado, o menor é encaminhado a um psicólogo do Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Dependendo da situação, ela também vai ao Instituto Médico Legal (IML) para realizar exame de corpo de delito. Depois, o caso é levado à DPCA.

Pastor
Darlson Macedo do DPCA detalhou o caso do pastor. Todos os depoimentos das vítimas - entre sete e onze anos - são semelhantes e três delas sequer se conhecem. “Esse falso pastor se aproveitava dos encontros dominicais sob pretexto de evangelizar essas crianças”, conta. Segundo o policial, os abusos aconteciam em uma piscina e na praia, em locais fundos, que as crianças precisassem ficar agarradas a ele para não se afogarem.

“Ele utilizava essas crianças para satisfazer sua lascívia alegando ser um representante de Deus. Trata-se de um abusador contumaz”, completa Darlson. Há quatro inquéritos contra o pastor. O primeiro engloba a denuncia de quatro crianças - todas netas da companheira do homem. As outras são queixas individuais, realizadas após o caso vir a público no fim de março. Outras duas mulheres chegaram a relatar que teriam sido molestadas pelo suspeito quando adolescentes.

O homem está preso preventivamente desde sexta (13). O advogado Anderson Frazão, que representa o pastor, comenta que o cliente nega as acusações, afirmando ser vítima de uma armação. Em alguns dias, deverá ser impetrado um pedido de habeas corpus, para que ele responda o processo em liberdade.

Professor
O professor de 32 anos confessou às autoridades que manteve relações com as menores. A esposa, fonoaudióloga de 29, também participava de orgias com os três. Apesar de não configurar estupro de vulnerável (art. 217 do Código Penal), por ambas meninas serem maiores de 14, a polícia aguarda perícia para atestar se houve estupro (pelo entendimento do art. 213 do mesmo código).

Responsável pelo inquérito, o delegado do Varadouro, Vinícius Oliveira, explica que a investigação começou após denúncias dos pais das meninas, que motivaram dois mandados: um de busca e apreensão domiciliar e outro de prisão temporária.

Ele tem um perfil meio psicótico. Usava do fato de ser professor para convencê-las a ter aulas particulares gratuitas, com toda uma lábia para induzi-las a irem a sua casa e praticarem atos sexuais”, detalha. O suspeito foi preso na sua residência, em Casa Caiada, Olinda, também na última sexta (13). De acordo com o delegado, foi encontrado material pornográfico envolvendo as menores no celular do suspeito. Também foram apreendidos na casa computador, pendrive, CDs e cartas de “amor”.

 

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Publicação mapeia os principais riscos a que estão expostos crianças e adolescentes nas cidades-sede do Mundial 2014 e apresenta as iniciativas desenvolvidas pela sociedade brasileira para garantir os direitos fundamentais desses grupos etários.