09 de Março de 2017
Síria vive crise de saúde mental infantil, diz estudo

Veículo: 
Carta Capital

Seis anos de guerra na Síria causaram uma crise de saúde mental entre as crianças do país, segundo afirmou uma pesquisa da organização Save the Children divulgada nesta segunda-feira 6.

O estudo, que entrevistou mais de 450 crianças, pais, professores e psicólogos em sete regiões sírias, sugere que os bombardeios e a violência contínua no país fazem com que as crianças vivam num estado constante de medo, o que pode gerar uma condição conhecida como estresse tóxico.

Se não for tratado, o estresse tóxico infantil é capaz de impactar na saúde física e mental dessas crianças durante toda a vida adulta, aumentando o risco a longo prazo de suicídio, doenças cardíacas, diabetes, dependência de substâncias tóxicas e depressão, explica a organização internacional.

De acordo com o estudo, a pressão psicológica constante se manifesta de diferentes formas em crianças, como na perda da habilidade de se comunicar, por exemplo. Entrevistados também relataram aumento na autoagressão e nas tentativas de suicídio entre crianças de até 12 anos.

Metade das crianças afirmaram que não se sentem seguras na escola ou brincando na rua. Além disso, 49% das crianças sentem angústia e tristeza extrema sempre ou durante a maior parte do tempo, e 89% dos adultos disseram que seus filhos e alunos têm demonstrado mais medo e nervosismo.

A guerra na Síria completa seis anos na próxima semana, tendo causado mais de 300 mil mortes e deslocado pelo menos metade da população síria. Dois terços das crianças entrevistadas disseram ter perdido um ente querido, tido sua casa bombardeada ou sofrido ferimentos relacionados ao conflito.

A pesquisa também revelou que 51% das crianças recorreram às drogas para lidar com o estresse, e 71% passaram a urinar involuntariamente em público ou na cama, um sintoma comum do estresse.

"Esse é o resultado de seis anos de guerra, e é uma tragédia que não pode continuar", afirmou a presidente da Save the Children, Carolyn Miles, em comunicado divulgado pela organização. "Podemos eliminar o estresse tóxico que muitas crianças estão sofrendo se for interrompido o bombardeio em áreas civis e for possível levar ajuda humanitária e apoio psicológico a todos."

 

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