08 de Novembro de 2016
SBP divulga manual com orientações para impacto da tecnologia

Veículo: 
O Globo

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou um manual com orientações para que médicos, pais e educadores saibam lidar com os impactos da tecnologia e do mundo digital na saúde das crianças e adolescentes. Segundo a SPB, estudos científicos comprovam que a tecnologia influencia comportamento, levando à adoção de muitos comportamentos inadequados desde os primeiros anos de vida.

A presidente da SBP, Luciana Rodrigues da Silva, recomenda uma espécie de "dieta midiática", levando em consideração a idade e o desenvolvimento da criança e do adolescente. Ela comparou essa "dieta" a planos de reeducação física ou alimentar, nos quais é preciso o empenho dos pais e professores.

“Existem benefícios e prejuízos advindos dessas tecnologias. O desafio é saber usá-las na dose certa. Nestes contextos, o pediatra tem um papel central, pois, pelo respeito e confiança que recebe das famílias, pode ser o agente de mudanças ao orientar os pais a agirem diante de cenários de risco”, disse por meio da assessoria de imprensa a presidente da SBP, Luciana Rodrigues da Silva.

O título do manual é “Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital”. Segundo o documento, o uso excessivo da tecnologia por crianças e adolescentes está ligado ao aumento da ansiedade, à dificuldade de estabelecer relações sociais, ao estímulo à sexualização precoce, ao cyberbullying, ao comportamento violento ou agressivo, aos transtornos de sono e de alimentação, ao baixo rendimento escolar, às lesões por esforço repetitivo e à exposição precoce a drogas, entre outros. "Todos com efeitos danosos para a saúde individual e coletiva, com graves reflexos para o ambiente familiar e escolar", diz a SPB em texto divulgado à imprensa.

O manual cita, por exemplo, o levantamento "Tic Kids Online – Brasil", feito em 2015 pelo Comitê Gestor da Internet (CGI), com três mil famílias de 350 municípios e crianças e adolescentes com idades entre nove e 17 anos. Segundo a pesquisa, 80% deles usam a internet com frequência. Desse grupo, 37% afirmaram já ter visto alguém ser discriminado na internet no último ano.

Além disso, 20% disseram ter sido tratadas de forma ofensiva na internet. Entre os adolescentes vítimas, 21% deixaram de comer ou dormir por causa disso, 17% procuraram informações sobre como emagrecer, 10% pesquisaram formas para machucarem a si mesmos, 8% buscaram as drogas, e 7% declararam ter tido acesso a formas de praticar suicídio.

Outra preocupação é o chamado "tempo de tela", ou seja, o tempo em que as crianças e adolescentes permanecem em frente às telas. Isso deve ser limitado e proporcional à idade da criança e à etapa de seu desenvolvimento. É desencorajada, por exemplo, à exposição às telas digitais até os dois anos de idade, principalmente durante as refeições ou antes de dormir. No caso das crianças entre dois e cinco anos, o tempo de exposição deve ser no máximo de uma hora por dia. Computador ou televisão no quarto somente a partir dos dez anos. Mesmo no caso dos adolescentes, a orientação é para que não fiquem isolados em seus quartos.

Para qualquer idade, a orientação é evitar contatos com cenas de tiroteio, mortes ou desastres, ou nos quais haja recompensa por isso, uma vez que "banalizam a violência como sendo aceita para a resolução de conflitos, sem expor a dor ou sofrimento causado às vítimas”. Também é preciso equilibrar as horas de jogos eletrônicos com atividades esportivas e brincadeiras e exercícios ao ar livre.

O manual orienta ainda diálogo, para que pais falem com os filhos sobre as regras de uso da internet, evitando compartilhar senhas, fotos ou informações pessoais com estranhos. Os pais também devem monitorar os hábitos dos filhos na internet, em especial nas redes sociais. O manual orienta ainda o uso de softwares que permitam a filtragem de conteúdo acessado pelos filhos.

Para fazer o manual, foram consultadas 30 pesquisas, entre elas trabalhos de pesquisadores da Academia Americana de Pediatria (AAP) e da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos, e do Comitê Gestor da Internet (CGI) e do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade de Informação (Cetic.br), no Brasil. O texto foi elaborado pelo Departamento Científico (DC) de Adolescência da SBP, sob coordenação da médica Evelyn Einsentein. Ela é professora de Pediatria e Clínica de Adolescente e coordenadora de disciplina de Adolescência da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do R io de Janeiro (Uerj).

 

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