25 de Setembro de 2015
Projeto 'Primeiro Livro' incentiva escrita em escola e na Fundação Casa

Veículo: 
O Estado de S. Paulo

Geralmente temida pelos alunos na hora da prova, a página em branco se tornou um convite à criatividade. Um projeto feito em uma escola municipal e duas unidades da Fundação Casa em São Paulo incentiva estudantes a escreverem livros como atividade pedagógica. Além de desenvolver a imaginação, o trabalho ajuda a melhorar a escrita e a autoestima dos jovens. O professor de Português Luis Junqueira, coordenador do projeto Primeiro Livro, trabalha com a proposta desde 2009, em colégios particulares. Neste ano, ele conseguiu migrar para a rede pública, em caráter experimental. A escrita de obras em sala de aula também está sendo adotada em duas escolas de São Miguel dos Campos, em Alagoas. A Fundação Lemann e o Instituto Inspirare são apoiadores do projeto. Junqueira agora lançou uma campanha de financiamento coletivo para custear a impressão dos livros de seus alunos. As crianças e jovens têm liberdade para a escolha do tema – de ficção ou baseado em fatos reais – e também são responsáveis pelas ilustrações. Cada capítulo é acompanhado por Junqueira e sua equipe, durante encontros presenciais ou por arquivos virtuais compartilhados. Os retornos são feitos em mensagens de texto ou videoaulas, que indicam erros e sugestões.

Superação

Fechados na Fundação Casa, os internos reencontram a liberdade ao se dedicar à escrita. “O projeto me ajuda a voltar a sonhar e controlar a ansiedade aqui dentro”, relata Carlos (nome fictício), de 18 anos, interno da unidade da Vila Maria, na zona norte. “Quando ficar pronto, quero mostrar esse trabalho para minha avó”, conta ele, autor um livro de auto-ajuda, que mistura experiências pessoas e reflexões sobre a vida. “Quero trabalhar sobre esperança, perdão e recomeço.” Entre os adolescentes que cumprem medidas socioeducativas, os temas dos livros mudam. “A dimensão da realidade é distinta. Na Fundação Casa, estão bem ligados ao concreto, ao real. Na escola particular, o aluno costuma ir pelo universo da fantasia”, diz Junqueira. Histórias de superações, em busca do final feliz, também são recorrentes. Aos internos, a participação é facultativa. A sexta-feira de aulas é o segundo dia mais esperado pelos autores da Fundação – a exceção é o sábado, quando recebem visitas da família. “O preconceito que sofremos é grande. Fazer o livro mostra que todos temos potencial”, afirma Mário (nome fictício), de 17 anos.

 

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Este guia integra uma série de publicações editadas pela ANDI – Comunicação e Direitos ao longo da última década, com o objetivo de contribuir para o aprimoramento da cobertura jornalística.