08 de Fevereiro de 2017
Período de volta às aulas causa impacto diferente em cada idade escolar

Veículo: 
Folha de Vitória

Qual o pai ou a mãe que nunca sentiu aquele frio na barriga com o filho na hora da volta às aulas? Para as crianças que vão encarar a escola pela primeira vez é um momento de adaptação, quando elas deixam o conforto de casa. Já para os pré-adolescentes, a fase é de grande desinteresse na educação. Mas como os pais devem lidar com o filho no período de volta às aulas?

O Folha Vitória conversou com o psicopedagogo e psicanalista Fernando Coura Assis, que revelou como os filhos entendem o retorno à escola de acordo com cada idade e ensino educacional.

Geralmente entre 0 a 5 anos de idade é o momento do primeiro contato da criança com a creche ou a pré-escola. Fernando diz que é a fase de estranhamento da criança.

"Nesse momento, a criança sai do conforto de casa para um ambiente novo e, naturalmente, ela acaba estranhando. Isso deve ser trabalhado de uma forma que os pequenos consigam entender essa nova fase. É dever dos pais conversar com a criança e explicar que todo mundo passa por esse processo de adaptação e ressaltar a importância do aprendizado. É preciso incentivar, dizendo que ela vai conhecer muitos amigos e se divertir aprendendo", sugere.

Dos 6 aos 14 anos, os filhos entram no Ensino Fundamental. Assis afirma que para os alunos é um choque grande. Isso porque é um ambiente diferente onde a didática de ensino não é a mesma. "Muitas vezes não será somente um professor, mas sim vários. Mudam a rotina, as atividades, a escola... Normalmente a criança percebe essa diferença, o que gera um grande desconforto nela. Mais uma vez, os responsáveis têm que explicar que é uma nova etapa e que é uma coisa natural", explica o psicopedagogo.

Segundo Fernando, no Ensino Médio, os pais se deparam com o grande desinteresse dos filhos. "É um período difícil: a pré-adolescência. Muitos pais procuram um psicopedagogo pelo fato do desinteresse em estudar de seus filhos. Nesse momento, os estudantes não enxergam sentido algum em estudar, pois se deparam com matérias que não os agradam, dentre outros fatores. Os responsáveis devem ter paciência, pois nessa fase da criança ocorrem mudanças mentais e físicas. Vem também a cobrança da profissão no futuro, como se inserir em novos grupos de amizades e etc. O diálogo é fundamental para encarar o retorno às aulas nessa idade", comenta.

Se engana quem pensa que não há ansiedade e problemas na volta às aulas também dos universitários. "Muitas vezes os filhos entram na faculdade por conta da pressão feita pelos pais e nesse processo, eles acabam escolhendo qualquer curso. Por conta de um sistema de educação deficiente, o universitário acaba entrando no ensino superior sem noções básicas que deveria ter aprendido no ensino médio. Esse choque acaba fazendo ele desistir sem nem começar ou com pouco tempo estudando", fala Assis.

Fernando esclarece que o psicopedagogo atua como um mediador da educação. "Nós trabalhamos o caminho da aprendizagem para as pessoas, pois cada indivíduo tem suas especificidades. Atuamos como facilitadores do ensino e ajudamos as pessoas a encontrar o seu problema individual, respeitando o seu ritmo e criando uma comunicação", finaliza.

 

Patrocínio
Petrobras
Publicações
O guia procura orientar os profissionais de comunicação para uma cobertura qualificada e contextualizada do tema oferecendo referências às políticas públicas, esclarecendo conceitos e sugerindo fontes.