09 de Julho de 2013
Para entender o País dos jovens

Veículo: 
Revista Época

Os milhares de manifestantes que ganharam as ruas do Brasil nas últimas semanas são jovens que descobriram na internet uma ferramenta poderosa para lançar e organizar protestos: contra a má qualidade dos serviços públicos, contra a corrupção, contra a violência da polícia e, sobretudo, contra tudo o que eles consideram abaixo de suas elevadas expectativas em relação à situação econômica e social do Brasil. "A situação do País não piorou. Foi a exigência que aumentou", diz o filósofo Renato Janine Ribeiro, professor da Universidade de São Paulo (USP). "A agenda da carência cede lugar à da cobrança".

Maior exigência

Os jovens se tornaram mais exigentes por dois motivos. Primeiro, porque aumentou o nível de escolaridade. Eles estão mais instruídos. Segundo o Ministério da Educação, entre os jovens de 18 e 24 anos, aqueles que cursavam o nível superior passaram de 15%, em 2002, para 29,9%, em 2011. Quem estuda mais entende melhor e tende a ser mais crítico. O segundo motivo é a crise econômica. O crescimento brasileiro, que chegou a ser de 7% ao ano, caiu para menos de 1 % no ano passado, arrastando com ele a possibilidade de melhoria rápida no padrão de vida dos brasileiros, sobretudo os mais jovens. O País não conseguiu cumprir a expectativa de realização pessoal criada entre os jovens urbanos. O desemprego entre os 18 e os 24 anos foi de 12,4% em maio passado - o triplo da taxa registrada entre trabalhadores mais velhos.

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Este guia integra uma série de publicações editadas pela ANDI – Comunicação e Direitos ao longo da última década, com o objetivo de contribuir para o aprimoramento da cobertura jornalística.