17 de Julho de 2018
Meninas sem educação formal custam ao mundo até US$ 30 trilhões

Veículo: 
O Globo

Tirar as meninas da escola antes de completarem o ensino médio provoca um grande abalo social e econômico, especialmente em países de baixa renda. Um novo relatório do Banco Mundial calculou que impedir que elas completem 12 anos de escolaridade pode custar entre US$ 15 trilhões e US$ 30 trilhões em renda e produtividade perdidas ao longo da vida. De acordo com o documento “Perda de oportunidades: o elevado custo de não educar as meninas”, o mundo tem 132 milhões de meninas de 6 a 17 anos fora da escola.

Menos de 65% das jovens nesta faixa etária concluem o ensino fundamental, e apenas uma em cada três terminam o ensino médio. Ultrapassar esta etapa é importante para garantir o aumento da renda — quem passa 12 anos na sala de aula ganha, em média, o dobro de quem não tem escolaridade. O relatório foi lançado propositalmente na quarta-feira, véspera do aniversário da ativista paquistanesa Malala Yousafzai. A data se tornou um dia de reflexão sobre o tema, o Malala Day.

— Não podemos deixar que a desigualdade entre gêneros seja um obstáculo para o progresso global — ressalta a diretora-gerente do Banco Mundial, Kristalina Georgieva. — A desigualdade na educação ainda é um problema que está custando ao mundo trilhões. Está na hora de eliminarmos essa diferença e dar às meninas e aos meninos uma mesma chance de ter sucesso.

Para Sandra Unbehuam, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas, as meninas são afastadas das escolas porque precisam acumular outras responsabilidades, como as tarefas domésticas. Também enfrentam problemas como o casamento infantil, a gravidez precoce e, em alguns países, a proibição de que entrem em uma sala de aula.

— Pensar na situação das meninas implica em refletir também no contexto social em seu entorno. Há diversos fatores indissociáveis e que, por isso, devem ser enfrentados com políticas integradas, articulando distribuição de renda, trabalho, saúde e segurança — descreve a socióloga, que é coautora do documento “Informe Brasil Gênero e Educação”. — Quem não tem o que comer ou vestir não vai para a escola.

Uma das chefes da delegação brasileira na Conferência Mundial sobre a Mulher, que ocorreu em Pequim em 1995, a escritora Rosiska Darcy de Oliveira avalia que retirar uma menina da escola é uma decisão que repercute pelo resto da vida.

— O desequilíbrio de oportunidades entre meninos e meninas é muito grande e se retroalimenta, já que, quando elas deixam os estudos, terão menos oportunidade no mercado de trabalho, menor remuneração e, portanto, maior dependência do resto da família — explica. — Estas mulheres ocuparão posições muito baixas no mercado de trabalho e terão mais dificuldades em assegurar que suas filhas tenham um maior nível de escolaridade.

O relatório estima que, se o ensino médio fosse universalizado, o casamento infantil seria virtualmente eliminado e o índice de gravidez precoce seria reduzido significativamente, controlando o crescimento populacional. Se tiverem um lugar na sala de aula, as alunas aprenderão o que são as doenças sexualmente transmissíveis e terão maior capacidade de escolher seus parceiros sexuais.

No Brasil, a realidade é diferente. Segundo o Censo Escolar de 2015, a taxa de abandono da escola é maior entre as meninos (8,7%) do que entre as meninas (7%). O índice de reprovação deles (15,4%) também é maior do que delas (9,7%). Ainda assim, Sandra avalia que a maior escolaridade não provocou reconhecimento no mercado de trabalho.

— A representatividade das mulheres é baixa nos empregos com maiores salários. — Outro desafio é atraí-las para a ciência e a tecnologia.

 

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