31 de Agosto de 2017
Em Manaus, programa de tutoria qualifica formação de professores

Veículo: 
Centro de Referências em Educação Integral

São muitos os desafios quando se trata de gerenciar a terceira maior rede municipal de ensino do Brasil, caso da Secretaria de Educação de Manaus (AM). Com cerca de 12 mil professores, lecionando em 493 escolas, formar e integrar os docentes recém-incorporados à rede de maneira focada e eficiente consistem em alguns deles.

Dessa necessidade, surgiu o Programa de Tutoria Educacional, implementado em 2015 em parceria com a Fundação Itaú Social, com a proposta de fortalecer as práticas educativas por meio da formação em serviço.

Voltada para o acompanhamento e monitoramento formativo de professores da Educação Infantil e Ensino Fundamental, a iniciativa promove o desenvolvimento profissional do professor em estágio probatório.

O programa destina-se também para os docentes que ficaram longe da rede pública por mais de dez anos, professores em regime de contrato temporário, além daqueles com uma matrícula efetiva e outra em estágio probatório.

Euzeni Araújo Trajano, subsecretaria de Gestão Educacional da Secretaria Municipal de Educação de Manaus, conta que a idealização do programa veio da constatação de que os gestores e escolas nem sempre conseguiam realizar e acompanhar o estágio probatório de perto.

“O Brasil tem poucas ações voltadas para o professor em início de carreira, de acompanhamento e formação. Então, esse atendimento customizado funciona para  garantirmos a qualidade da atuação do professor”, diz.

A proposta é que tutor e professor construam juntos práticas de pedagogia mais afinadas com as necessidades da escola e as especificidades do docente.

Como funciona o programa de tutoria

Toda a tutoria é feita em serviço, observando-se e dialogando com o cotidiano do professor e seu contexto profissional. O tutor recebe formação específica e acompanha semanalmente até oito docentes por vez, ao longo dos três anos de estágio probatório.

Fundamentalmente, o tutor funciona como um espelho para que o próprio professor possa analisar sua prática, além de fornecer a ele ferramentas para mudar o que julgar necessário.

O processo tem início com a formação do tutor, que no caso de Manaus ocorreu em 2014, quando a Fundação Itaú Social compartilhou uma metodologia norte-americana de formação continuada com a Secretaria Municipal de Educação.

Durante seis meses, integrantes da Fundação trabalharam a metodologia com 25 educadores da Secretaria. Em seguida, realizaram uma formação em campo, isto é, com os professores em sala de aula.

A formação continuada dos tutores persiste até os dias de hoje, mas eles já têm mais autonomia e os encontros são mais espaçados, servindo para reciclagem de conceitos, esclarecimento de dúvidas e debates.

Feita a formação destes tutores, eles vão a campo estudar a escola, o território e conhecer o professor que vão tutorar para realizar um diagnóstico inicial acerca da gestão da sala de aula, práticas de ensino, planejamento e avaliação.

Neste processo, também incluem a autoavaliação do docente e o foco que ele pretende dar para sua formação. A partir disso, o tutor identifica os pontos que precisam ser trabalhados e a dupla desenvolve ações de formação.

A metodologia com que os tutores trabalham fornece diversas estratégias, por exemplo, como modelar uma ação para o professor enxergar melhor seu funcionamento ou tutor e tutorado planejarem e executarem juntos uma aula.

A observação da prática do professor em sala também é combinada entre os dois e pode ser feita de diversas maneiras, como por meio de transcrições ou filmagens. A observação serve tanto para diagnóstico quanto para acompanhar a evolução das ações de formação adotadas.

Todo o programa de tutoria obedece a prazos e metas, com o objetivo de melhorar a formação deste educador e, principalmente, medir se as estratégias adotadas tiveram impacto na qualidade da aprendizagem dos alunos.

Na relação deste par prevalece a confidencialidade e a confiança. Tudo que é tratado entre tutor e tutorado permanece entre eles. Só são divulgados resultados, estratégias utilizadas, carga horária da formação e resultados dos alunos.

“Não é fiscalização, não é para apontar o que ele sabe ou não fazer. Ele pode ser transparente sobre suas angústias e dificuldades com a certeza de que não será exposto ou julgado”, diz Thiago Eugênio Gomes, tutor que trabalha com três professoras em estágio probatório.

Para Gomes, estar em sala de aula com o professor traz impactos mais efetivos para a mudança de prática do que realizar formações continuadas externas. “A formação em serviço consegue atingir as necessidades específicas daquele professor, naquele local. Até porque estamos falando de quase 500 escolas localizadas em zonas de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) variado, com salas muito heterogêneas”, diz.

Por parte dos professores, Euzeni diz que houve resistência inicial, mas que esta foi facilmente dissolvida com diálogo e com a percepção de que o programa não trata de uma fiscalização. “Hoje eles se sentem ajudados pelo processo. E os resultados têm sido tão positivos que agora queremos formar professores tutores permanentes no quadro das escolas”.

Gomes acrescenta que outro ganho do programa é que, em certo ponto da formação via tutoria, o professor ganha autonomia. “Ele aprende a refletir sobre a prática dele sozinho, a se autoavaliar, identificando o que alavanca ou freia o desenvolvimento de seus alunos”, afirma. “Agora, queremos expandir essa reflexão para os demais professores”.

Atualmente, a Secretaria realiza a Tutoria Educacional em 88 unidades de ensino, com 219 professores de Educação Infantil a Fundamental II e impacta 7.690 alunos.

 

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