25 de Maio de 2015
Dia Nacional da Adoção celebra o amor multicolorido

Veículo: 
O Globo

O brasileiro na fila para adotar uma criança está muito mais disposto a abraçar um menor de idade com a cor de pele diferente da sua. Em 2010, 38,73% dos adultos pretendentes queriam adotar somente crianças brancas, segundo a Corregedoria Nacional da Justiça (CNJ). Hoje, essa porcentagem caiu para 26,49%. Por outro lado, famílias formadas à luz da diversidade continuam experimentando constrangimento provocado por comentários inadequados e atitudes preconceituosas. No Dia Nacional da Adoção, celebrado hoje, profissionais envolvidos comemoram o aumento da pluralidade, que contribui para acelerar o número de processos. Mas lamentam casos como o que ocorreu numa loja de grife da Rua Oscar Freire, em São Paulo. No final de março, um menino negro de 8 anos que passava perto do estabelecimento com seu pai, de pele branca, foi repreendido por uma vendedora que se dirigiu ao garoto como ele estivesse pedindo esmola. Este mês, a figurinista Maria Diaz publicou no Facebook um texto criticando uma lanchonete em Ipanema cujo funcionário expulsou seu filho de 5 anos. “Depois de ver que estava comigo, branca, o atendente pediu desculpas. Racismo é crime”, escreveu ela. Os dois casos ganharam enorme repercussão nas redes sociais. Mas, para muitas famílias, as histórias não surpreendem. Em 2010, segundo dados da CNJ, apenas 30,59% dos pretendentes do cadastro aceitavam crianças negras. Hoje, são 43,15%. Da mesma forma, em 2010, 58,58% não viam problemas em adotar menores de cor parda. Hoje, são 71,04%. “Casais brancos que adotam crianças negras têm de saber lidar com isso. E só devem iniciar o processo de adoção se estiverem preparados para situações como essas e outras várias que surgirão”, opina a juíza Mônica Labuto Fragoso Machado, da 3ª Vara da Infância e da Juventude, uma das mais atuantes no Estado do Rio e responsável por metade das adoções do último ano (cerca de 250).

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Publicação mapeia os principais riscos a que estão expostos crianças e adolescentes nas cidades-sede do Mundial 2014 e apresenta as iniciativas desenvolvidas pela sociedade brasileira para garantir os direitos fundamentais desses grupos etários.