29 de Janeiro de 2019
Brincar livre: o direito da criança a se desenvolver com saúde

Veículo: 
Diário de Pernambuco

O mês de férias, quando as crianças deixam de ir à escola todos os dias, deveria ser sinônimo de mais tempo livre para elas. No entanto, mesmo durante esse período, o direito de brincar, garantido pelo artigo 31 da convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Crianças, nem sempre é respeitado. Brincar não significa uma agenda de atividades recreativas. É, na verdade, deixá-las descobrir o mundo pela linguagem infantil. Nos últimos 40 anos, o tempo dedicado às brincadeiras diminuiu em 25%, de acordo com a Academia Americana de Pediatria. Cidades sem infraestrutura urbana adequada, pais mais ocupados e intensificação do uso de aparelhos eletrônicos criaram gerações cada vez mais distantes do chamado “brincar livre”.

Esse conceito mostra a distorção histórica que o ato de brincar adquiriu nas últimas décadas e significa apenas o direito da criança de realizar brincadeiras sem a intervenção de adultos, sendo protagonista ao poder escolher como, com quais materiais e com quem quer brincar. “O brincar é a linguagem da criança, é a maneira como ela descobre e interage com o mundo, então não existe um momento para isso. Nós adultos é que costumamos distinguir e separar, como se brincadeira não fosse uma coisa séria, não tivesse um papel relevante”, afirma a presidente da Associação Brasileira pelo Direito de Brincar (IPABrasil), Janine Dodge.

Ao explorar o mundo a partir das brincadeiras, a criança coloca em desenvolvimento habilidades físicas, sociais, emocionais e intelectuais. Elas aprendem sozinhas sobre o cumprimento de regras, a lidar com desafios e frustrações, a conviver com as diferenças. São apresentados à vida social e cultural, na medida em que as brincadeiras também significam o repasse de tradições. E não necessariamente precisam de brinquedos para criar um ambiente lúdico. “A criança sempre vai achar uma rachadura (num lugar não propício ao brincar). Ela pode brincar mais isolada, menos com o próprio corpo, mas vai encontrar formas de brincar”, afirma a coordenadora do programa Território do Brincar, do Instituto Alana, Renata Meirelles.

O papel do adulto é oferecer à criança um ambiente seguro e propício à brincadeira, estar disponível para quando ela convidá-lo a participar e garantir tempo para livre para isso. Cabe ainda ao poder público, de acordo com a própria convenção da ONU, criar espaços adequados e seguros, o que não quer dizer apenas uma praça com um escorrego e um balanço, mas um ambiente planejado para ser explorado e descoberto. Um exemplo do que está sendo feito na capital pernambucana é a criação de áreas de brincar, dentro do projeto Mais Vida nos Morros. “A cidade tem uma visão de longo prazo, para os 500 anos, que tem como eixo de ações a primeira infância. Estamos planejando espaços públicos a partir da perspectiva das crianças e engajando-as na transformação dessas áreas”, diz o secretário-executivo de Inovação Urbana do Recife, Tullio Ponzi.

Famílias que vivem em bairros sem opção de espaços públicos adequados têm migrado para outras regiões da cidade. É o caso da jornalista Paula Bivar, 35 anos. Moradora do bairro de São José, área central do Recife, e mãe de Catarina, 3, e Clara, 2. Ela leva as filhas até a Zona Sul para que elas possam brincar com mais liberdade. A solução encontrada por Paula é a mesma de muitos pais que vivem em apartamentos: ir para casas de brincar (espaços privados criados para o brincar livre). “O espaço de lazer do meu prédio não tem areia, e as opções de passeios eram shoppings e as poucas praças e parques localizadas próximos à minha casa. O simples está em falta. Aqui, elas têm acesso à natureza”, conta Paula.

Espaços como esse têm se multiplicado pela cidade. "O conceito é fazer com que a criança escolha os itinerários da brincadeira, isto é, que seja o menos direcionado possível. Ela escolhe como, com o quê e com quem brinca. O que oferecemos é o espaço, o tempo e os materiais que, muitas vezes, eles não têm acesso em casa", explica a proprietária da casa de brincar Novo Quintal, do Pina, Maria Fernanda Galdêncio. 

Formação
Criado há três anos, o projeto Mais Lindeza tem formado cuidadores do brincar em Pernambuco. Ao todo, cerca de 50 pessoas já foram capacitadas. As atividades do projeto englobam ainda eventos abertos, que estimulam a relação afetiva das pessoas com a cidade; capacitações com médicos e professores além de levar o brincar livre a festas infantis. Escolas e hospitais públicos do estado já receberam a formação e multiplicam o conceito de brincar livre em diversos ambientes. "Esse período de férias escolares desperta um alerta para a sobrecarga que às vezes é colocada para as crianças. É importante deixá-las livres, sem compromissos e responsabilidades. O ócio é fundamental na infância", destaca a arteterapeuta e idealizadora do Mais Lindeza, Gabriela Vasconcellos.

Cidades devem se preparar para o brincar livre
Quando chegou ao bairro de Beberibe, Walquíria Santana não tinha muitas opções de lazer perto de casa. Na época uma adolescente, ela costumava atravessar a Zona Norte até o Parque da Jaqueira para se divertir com os amigos. O esforço nem sempre compensava e, na maior parte do tempo, ela permanecia em casa. A realidade que a hoje doméstica de 33 anos enfrentou é a mesma de muitas outras crianças e adolescentes. Espaços preparados para o brincar livre ainda são escassos na cidade, sobretudo nas periferias. Ampliar e preparar os territórios para o uso e as necessidades do desenvolvimento infantil é um dos desafios do Recife para criar uma cidade mais acolhedora até completar 500 anos, em 2037.

A cidade em toda a sua diversidade humana e de paisagem pode ser um laboratório de formação infantil, de acordo com a Rede Nacional Primeira Infância. Para isso, precisa ser planejada de acordo com premissas de valorização das necessidades das crianças desde os primeiros anos de vida. No Recife, pelo menos 15 bairros não têm sequer uma praça ou um parque. Entre aqueles que têm, muitos não contam com infraestrutura adequada para as brincadeiras infantis, seja por estarem degradados ou não oferecerem mobiliário seguro e preparado para favorecer os estímulos.

“Essa é uma realidade do Brasil inteiro, que fica expressa nos poucos parques públicos qualificados que lotam nos fins de semana. Oferecer espaços públicos adequados para as crianças é um direito assegurado em lei”, afirma Janine Dodge. Ciente do desafio a enfrentar e visando um horizonte de transformação para os 500 anos, o Recife está desenvolvendo uma série de intervenções urbanas com foco na melhoria dos espaços públicos para a primeira infância. Parte das ações estão sendo implementadas de forma experimental em dois lugares da cidade: os bairros da Iputinga e do Alto Santa Terezinha.

Nesses locais, estão sendo feitas consultas junto aos moradores para construção dos espaços públicos, em uma parceira da Agência Recife para Inovação e Estratégia (Aries) e a Fundação Bernard Van Leer. Partindo da ideia de que uma cidade adequada para uma criança de três anos é pronta para toda a população, estão sendo construídos espaços dentro do projeto Urban95 – que propõe soluções pensadas a partir da altura de 95 centímetros, a média de uma criança de três anos. O primeiro espaço a receber intervenção foi a praça Arari Ferreira Fonseca, na Iputinga, onde foi construído um mobiliário de intervenção efêmera para ser projeto-piloto das outras áreas. Neste semestre, a ação seguirá para o Alto Santa Terezinha, em frente ao Compaz.

A provocação também chegou ao projeto Mais Vida nos Morros, que começou a implementar espaços de brincar nas periferias da cidade. “Nos mostraram que as ações realizadas dentro do projeto, de soluções para o lixo orgânico, mutirões de limpeza, pintura das casas, eram também uma política para as crianças, já que favoreciam o brincar nos novos espaços. Então, começamos a direcionar as ações nesse sentido. Passamos a colocar as crianças como protagonistas das intervenções e vimos que, assim, conseguíamos engajar até mais as famílias”, explicou o secretário-executivo Tullio Ponzi.

As crianças agora são chamadas para oficinas junto à gestão pública para decidir como querem os espaços da vizinhança onde vivem. Assim, Laryssa, 8 anos, Letícia, 9, e os amigos viram surgir no chão da Rua Vitoriana, em Beberibe, a amarelinha tão sonhada. As filhas de Walquíria assistiram a barreira estreita em frente de casa, que mal permitia a passagem segura da família, ganhar novas formas e cores. O beco estreito ganhou abelhas e corações na parede e uma placa anunciando que, por onde corria esgoto e acumulava-se lixo, agora é uma área de brincar.

“Antes aqui era esquisito, cheio de sujeira. A escada do beco era toda quebrada”, conta Letícia. “Era cheio de arame, lixo. Tudo cinza e cor de ferro. Aí a gente brincava dentro de casa, sozinho, mas não era legal”, lembro vizinho, Ivanildo Silva, 8. A Rua Vitoriana foi a última área da cidade a receber o Mais Vida nos Morros, em dezembro. A comunidade virou uma área de lazer ao ar livre, com bancos de praça, jardim de flamboyants, horta e mirante. “Colocamos tudo na altura dos 95 centímetros, para que as crianças pudessem ter outra perspectiva da cidade. São experiências que farão diferença na arquitetura cerebral delas”, acrescenta Tullio Ponzi.

Walquíria agora deixa as filhas brincarem com mais frequência na rua. Todo fim de tarde,  reúne-se com os vizinhos para varrer o espaço. “A gente limpa, lava a praça, para preservar o espaço da gente. Se você vier toda tarde, tem criança aqui”, conta. Outras áreas que receberam intervenções semelhantes foram Sítio São Braz e, em menor proporção, o Morro da Conceição. Também na Zona Norte, o Vasco da Gama será o próximo, com previsão de entrega no início de fevereiro.

A meta é escalonar a iniciativa para outras regiões da cidade, como a Zona Sul. Até o fim do ano, outras seis comunidades serão contempladas, estima a secretária-executiva de Inovação Urbana. Dentre elas, o Alto do Buriti, o Campo da União e o Ibura. Cada projeto leva em média de três a seis meses para ficar pronto. “É uma intervenção de baixo custo e alto impacto”, sintetiza o secretário-executivo. 

Brincar é uma questão de saúde
O brincar livre repercute na formação cognitiva e, em consequência, tem repercussões físicas e mentais no desenvolvimento das crianças. A redução do tempo de brincadeiras tem sido correlacionada a duas graves epidemias que atingem as crianças e adolescentes em todo o mundo: o aumento da obesidade infantil e dos distúrbios emocionais. Estima-se que o número de crianças obesas já é 10 vezes maior do que há 40 anos. Do mesmo jeito, o índice de depressão, ansiedade e até suicídio cresceu entre sete e dez vezes entre adolescentes e jovens adultos.

O brincar livre é um momento seguro para que a criança experimente sensações, explica Janine Dodge. “Se você deixa a criança sozinha, brincando, ela vai passar por momentos de frustração, raiva, tristeza, mas vai encontrar uma solução. Ela aprende a lidar com as emoções. O que acontece hoje é que muitas crianças passam a infância privadas desse momento e, de repente, na adolescência, é cobrada a lidar com as frustrações”, afirma a pesquisadora. Ainda que não viva frustrações numa determinada brincadeira, a própria prática de exercícios físicos tem impacto na saúde mental, já que diminui estresse. Para quem pensa que não é sério, as estatísticas dizem o contrário. O suicídio é hoje a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. A depressão atinge um em cada cinco adolescentes entre 12 e 18 anos.

Do ponto de vista físico, o brincar livre estimula o interesse pelos exercícios. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que crianças pratiquem 60 minutos de atividades físicas por dia. “A atividade física é importante não só para o controle de peso, mas no desenvolvimento muscular, na questão postural, de equilíbrio. Muitas vezes, a gente pensa que a atividade física é a criança ter aula de futebol duas vezes por semana, mas não adianta isso se ele passa os outros dias em casa, sentado no sofá”, afirma a coordenadora da Política de Saúde da Criança do Recife, a pediatra Lélia Moreira.

A aposentada Josefa Silva, 78 anos, aproveita a caminhada que vai realizar pelo menos duas vezes na semana para levar a neta Maria Fernanda, 11, para brincar ao ar livre. "É bom para desopilar a mente, né? Quando ela fica em casa muito tempo, fica mais aborrecida", contou.

Uma criança que não é estimulada a brincar pode ter vários atrasos no desenvolvimento. “E não é só brincar com brinquedos caros, mas na rua, com bola, andar na areia. São experiências sensoriais, que melhoram a imunidade, desenvolvem a parte motora e cognitiva”, explica a coordenadora do Núcleo de Desenvolvimento Infantil do Recife, Kátia Kelly. De acordo com ela, uma criança deve ser estimulada desde a barriga. Os principais atrasos dessa ausência na primeira infância se expressam em não conseguir sentar, não conseguir andar no período adequado, não saber diferenciar texturas. “São crianças também mais retraídas, que não buscam os brinquedos ao vê-los, que não interagem com outras crianças”, acrescenta Kátia Kelly.

O Recife está desenvolvendo o Plano Municipal pela Primeira Infância, no qual deve abordar como premissa do desenvolvimento o estímulo ao brincar livre. “Dentro das escolas e dos espaços mãe coruja, trabalhamos a importância do brincar com as famílias e os profissionais. Também temos incentivado a formação das equipes da rede, a partir de evidências científicas, para a questão”, disse Lélia Moreira.

Entrevista // Dafne Herrero, doutora e mestre pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e consultora do brincar pela International Play Association Brasil

Como a brincadeira ajuda no desenvolvimento da criança?
É no brincar que a criança recebe informações, absorve o conhecimento, elabora estratégias e devolve respostas pelas brincadeiras que ela propõe, desenvolvendo sua autonomia. A possibilidade de jogar a bola diversas vezes, pular corda, correr, repetir, repetir e repetir aumenta o repertório de possibilidades motoras, cognitivas e emocionais. Aprender a lidar com essas situações oferece à criança resiliência para enfrentar situações diversas, para elaborar ideias e ter uma maior inteligência para conversar, se expressar e ter proatividade.  A criança nos conta algumas coisas pelo brincar. Uma delas são as suas dúvidas, quando, por exemplo, a criança põe a boneca de castigo e nos olha para que aprovemos ou não aquela situação. Neste caso, podíamos orientar que a criança “converse com a boneca” e entenda por que ela fez alguma malcriação. O importante é focar no acolhimento do sentimento e não na reação de chute, tapa ou jogar o brinquedo no chão para ir de castigo. Na dúvida, tente sempre entender o que levou a criança reproduzir essas situações na brincadeira. Outra questão que ela mostra seus conhecimentos adquiridos, quando, por exemplo. exibe em uma brincadeira de escola a letra que está aprendendo ou, ainda, em uma brincadeira de carrinho, em que mostra suas habilidades em interpretar as cores dos faróis e seus significados para o trânsito. Suas impressões acerca de diversos assuntos também aparecem, por exemplo, quando fala “não pode jogar lixo no chão, não é, mamãe? O planeta chora”. Assim, nos mostram a construção de seus valores de uma maneira linda e espontânea e na prática. Além disso, as crianças dão diversas dicas sobre os sentimentos que afloram em cada situação de crescimento e desenvolvimento quando a brincadeira ocorre espontaneamente. Através do brincar, ela vivencia “de verdade” tudo o que ela propõe para o brincar de “faz de conta” para estabelecer acordos, trocar ideias e integrar-se à cultura e ao seu grupo.

Há diferença entre o que acontece de forma planejada e o que acontece de maneira mais orgânica?
Se conduzido pela criança, é brincar. Se pelo adulto, é atividade recreativa. A principal diferença para que a gente fale em brincar espontâneo, brincar livre ou brincar orgânico seria realmente o fato de ser conduzido pela criança, ter tido uma motivação intrínseca, sem expectativa de resultados ou com resultados definidos pela criança. É algo cujo valor é determinado pela própria criança, sem material específico, ou seja, a criança como protagonista. O brincar é um fim em si mesmo. A criança brinca porque brinca.

Que tipo de consequência o “não brincar” traz para o desenvolvimento da criança?
O brincar é um indicador de saúde. Se uma criança entrar agora em um ambiente e começar a brincar, ela me dá evidências claras de que está à vontade, confia no espaço e nas pessoas que estão por perto, possui repertório motor de movimentos e apresenta desenvolvimento cognitivo para uma sequência de exploração e brincadeira. Já se uma criança está isolada ou não quer brincar, as evidências são claras de algo não está indo bem. É através da brincadeira que a criança entende o mundo e que o mundo entende a criança. Se ela não está brincando, ela não está experimentando, criando repertório, além de não desenvolver a confiança e a autonomia.

Por que inserir a brincadeira no rol de políticas públicas prioritárias?
Muitos estudos evidenciam que a diminuição do tempo de brincar das crianças tem relação também com a inexistência ou existência inadequada de espaços para o brincar livre e na natureza. Em contato com a natureza, recebemos uma estimulação sensorial incrível: cores, formas, tamanhos, cheiros, texturas, distâncias, luminosidades, temperaturas. Tendo esse leque de opções, a criança acaba respondendo com maior riqueza de conteúdo, pela maior quantidade de estímulos. Uma criança que se movimenta, movimenta também suas emoções, respeita o ambiente e tem maior tendência a focar nas atividades, pois está envolvida em um ambiente acolhedor e que traz novidades a cada estação ou fim de tarde. Em ambientes fechados, com poucas cores, pouca variabilidade de temperatura e luminosidade, sons que não nos transportam ao natural e com uma restrita opção de brincadeira, terá menos repertório e menos chances de adquirir habilidades cognitivas e motoras. É necessário que exista um ambiente seguro para o brincar em locais públicos, acessibilidade para crianças e adultos usarem brinquedos em praças. Muitas vezes, vemos placas que proíbem crianças maiores de 10 anos de usarem os brinquedos. Onde então elas brincarão? Vemos também a situação de conservação inadequada dos espaços públicos que impede crianças com restrição de mobilidade de brincar.

Há diferenças na forma de pensar e estimular a brincadeira com as crianças de diferentes classes sociais e faixas etárias?
As brincadeiras trazem muito da rotina e da cultura das crianças. Há uma grande parte que será compartilhada por todos para o desenvolvimento motor e cognitivo. Porém, existe os vieses social e emocional que caracterizam alguns grupos e os complementam quando se encontram em ambientes comuns a todos. As faixas etárias têm demandas e interesses diferentes e é muito importante que eles sejam identificados e respeitados. Não há como exigir que uma criança fique em silencio durante um grande período quando ela está na faixa etária de desenvolver o equilíbrio, força e coordenação. O desenvolvimento dos aspectos motor, cognitivo, social e emocional é interdependente.

Como esse debate sobre a importância sobre o brincar pode ser incluído nas ações e políticas públicas, por um lado, e, por outro, na rotina familiar?
Na verdade, só existe um lado: o brincar na infância, pois 'para ser humano é preciso ter sido criança'. Saber o impacto e as funções que o brincar desenvolve pode trazer à tona uma conscientização desta importância. Alguns exemplos são ler histórias para nomear sentimentos e a criança memorizar como uma estratégia de como agir frente a alguma situação. Outros exemplos são jogar bola e esperar a vez mostra fisicamente como um diálogo acontece. Ao esperar a sua vez de jogar, você está memorizando que você respeita a vez do outro e como ele vai jogar. Amarelinha, pega-pega, esconde-esconde estimulam a entender as regras, os direitos de cada um e a elaborar estratégias para o brincar e fazer diferente da vez anterior, aprimorando suas habilidades. Lembrando sempre que a criança só brinca com quem ela confia e que durante a brincadeira. Isto é, 'o brincar nos faz iguais'. 

 

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Este guia integra uma série de publicações editadas pela ANDI – Comunicação e Direitos ao longo da última década, com o objetivo de contribuir para o aprimoramento da cobertura jornalística.